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Cabo da Rotam vai a júri popular acusado de matar ex-namorada em Belém

Justiça aceitou pedido do Ministério Público após perícias apontarem incompatibilidades na versão apresentada pelo policial

O cabo do Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas (Rotam) da Polícia Militar do Pará, Wladson Luan Monteiro Borges, irá a júri popular acusado pelo feminicídio da estudante de Nutrição Bruna Meireles Corrêa, de 32 anos, morta com um tiro na cabeça em março de 2025, em Belém.

A decisão foi tomada após a Justiça aceitar o pedido de pronúncia apresentado pelo Ministério Público do Estado do Pará. A pronúncia ocorre quando o juiz entende haver indícios suficientes de autoria e materialidade para que o caso seja levado ao Tribunal do Júri.

Wladson Luan já havia admitido, em audiência judicial, ter sido o autor do disparo que matou Bruna, mas sustenta que o tiro ocorreu de forma acidental e nega intenção de matar.


Relacionamento e investigação

Segundo as investigações, Bruna e o policial mantinham um relacionamento extraconjugal que teria enfrentado crises e tentativas de término por parte da vítima.

A denúncia do Ministério Público afirma que o crime ocorreu dentro do veículo do acusado, em via pública, após uma discussão entre os dois.

Bruna Meireles era natural de Colares e morava havia cerca de sete anos em Belém.

O caso passou a ser acompanhado pela 1ª Promotoria de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Belém, em atuação conjunta com a Polícia Civil.


Perícias contestaram versão apresentada pelo policial

De acordo com o Ministério Público, diversas perícias técnicas foram realizadas durante a investigação, incluindo laudo necroscópico, exame balístico, reprodução simulada dos fatos e análise genética da arma utilizada.

Os laudos concluíram que o disparo ocorreu a curta distância e afastaram a hipótese de falha mecânica da arma.

A perícia genética também identificou material biológico masculino em partes consideradas essenciais do armamento, reforçando a ligação do acusado com o disparo.

Já a reprodução simulada dos fatos apontou incompatibilidades entre a versão apresentada pelo policial e os vestígios encontrados pelos peritos.

Segundo os investigadores, a trajetória do projétil, os danos no veículo e os ferimentos da vítima não corresponderiam à dinâmica relatada pelo acusado.


Mensagens recuperadas

A investigação também analisou aparelhos celulares dos envolvidos.

Mesmo após exclusão de conteúdos, os peritos conseguiram recuperar mensagens consideradas relevantes para o inquérito.

Segundo o laudo, dias antes do crime houve troca de mensagens com xingamentos e frases interpretadas como ameaças.

Entre os trechos recuperados estariam frases como: “Ta vai ver só”, “Só tenha ciência de uma coisa” e “Nossos caminhos vão se cruzar”.

De acordo com a perícia, no dia anterior ao crime, o policial teria tentado contato diversas vezes por ligações, WhatsApp e SMS.


Prisão preventiva mantida

Ao analisar o processo, a Justiça entendeu que existem elementos suficientes para levar o caso a julgamento popular e determinou a manutenção da prisão preventiva do policial militar.

O automóvel onde ocorreu o crime apresentava marcas de disparos e o vidro do lado do passageiro ficou destruído.

Após o tiro, o próprio policial levou Bruna ao Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, no bairro do Umarizal, mas a estudante não resistiu aos ferimentos.

A defesa do cabo Wladson Luan Monteiro Borges ainda não havia se manifestado até a publicação desta matéria.

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