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Quem é a desembargadora que teme escravidão na magistratura

A desembargadora Eva do Amaral Coelho, de 74 anos, é a magistrada do Tribunal de Justiça do Pará que viralizou nas redes sociais após comparar as restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal aos chamados “penduricalhos” da magistratura a um “regime de escravidão”.

Durante sessão da Corte, ela afirmou que colegas estariam enfrentando dificuldades financeiras, chegando a deixar de ir ao médico ou de comprar medicamentos após a limitação das verbas.

Salários e benefícios

De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça, a magistrada recebeu R$ 44.431,77 líquidos em fevereiro e acumulou cerca de R$ 227 mil em rendimentos no primeiro bimestre de 2026.

Além da remuneração, reportagens apontam que a desembargadora conta com um carro oficial híbrido e motorista exclusivo, custeados pelo tribunal. O modelo previsto é um BYD King GS 2025/2026, avaliado em aproximadamente R$ 175 mil.

O contrato do TJPA para locação de veículos e motoristas prevê um custo mensal de cerca de R$ 544 mil para atender 40 desembargadores, com valor total estimado em R$ 32,6 milhões ao longo de cinco anos.

Atuação em caso histórico

A trajetória de Eva do Amaral inclui participação em um dos episódios mais marcantes da história recente do país: o Massacre de Eldorado dos Carajás, quando 19 trabalhadores rurais foram mortos por policiais militares no sul do Pará.

À época juíza de primeira instância, ela conduziu etapas do processo e, em um momento decisivo, retirou dos autos um laudo técnico da Unicamp que apontava que os disparos haviam partido dos policiais. Posteriormente, solicitou seu afastamento do caso.

Carreira no Judiciário

Eva ingressou na magistratura em 1985, iniciando sua atuação na comarca de Afuá, no Pará. Ao longo dos anos, passou por cidades como Primavera, Conceição do Araguaia e Castanhal, até chegar a Belém, onde atuou em varas criminais.

Antes disso, trabalhou como advogada em Belém e Marabá e também no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), na área de recursos humanos. Formou-se em Direito em 1980.

Justiça Eleitoral e reconhecimento

A magistrada também teve passagem pela Justiça Eleitoral, atuando em diversas comarcas e integrando o Tribunal Regional Eleitoral do Pará (TRE-PA) entre 2012 e 2016, inicialmente como membro substituto e depois efetivo.

Em 2021, recebeu a Medalha Desembargador Ermano Rodrigues do Couto, concedida por sua atuação no Judiciário paraense. No mesmo ano, já como desembargadora — cargo que assumiu em 2020 —, integrou o Conselho da Magistratura do TJPA.

Repercussão

As declarações recentes colocaram a magistrada no centro de um debate nacional sobre remuneração no Judiciário. A comparação com “escravidão” gerou críticas e ampliou a discussão sobre os limites salariais e os benefícios concedidos à categoria.

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