Filme com Alice Braga imagina Brasil pós-golpe e Amazônia sob controle dos EUA
Curta “Vitória Régia” mistura ficção política e ação para alertar sobre crise climática e ameaças à soberania
O curta-metragem Vitória Régia, estrelado por Alice Braga, apresenta um cenário distópico em que o Brasil mergulha em um regime autoritário após um golpe de Estado, resultando na entrega da Amazônia aos Estados Unidos.
A narrativa parte da hipótese de que os atos de Ataques de 8 de janeiro de 2023 tivessem tido sucesso. No filme, o presidente eleito, o vice e um ministro do Supremo Tribunal Federal são assassinados, abrindo caminho para um governo autoritário apoiado por interesses internacionais. Como contrapartida, a Amazônia passa a ser controlada pelos EUA, sendo rebatizada como “Amazon of America”.
Dirigido por Denis Kamioka, sob o codinome Cisma, o curta foi concebido não apenas como ficção, mas como uma ferramenta de mobilização política e ambiental. A produção integra a campanha “A Resposta Somos Nós”, articulada por organizações como a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.
No enredo, a protagonista — uma jornalista investigativa interpretada por Braga — viaja à Amazônia após ser convidada por uma empresa estrangeira que explora a região. O que aparenta ser desenvolvimento sustentável revela, na prática, um cenário de devastação ambiental e militarização.
Ao longo da trama, ela entra em contato com uma rede de resistência formada por povos indígenas e comunidades tradicionais, que lutam contra a exploração do território. A liderança indígena, interpretada por Ywyzar Tentehar, conduz a personagem por uma Amazônia devastada, transformada em área estratégica global.
Visualmente, o filme aposta em referências de ficção científica. A cidade de São Paulo aparece como um ambiente caótico e militarizado, enquanto a Amazônia é retratada como uma paisagem árida e destruída, remetendo a cenários pós-apocalípticos.
Segundo os realizadores, a proposta surgiu da percepção de que documentários já não estavam sendo suficientes para sensibilizar o público sobre a crise climática. A aposta, então, foi em uma narrativa mais emocional e acessível, capaz de ampliar o alcance da mensagem.
Produzido com participação direta de organizações indígenas, o curta reúne ainda nomes como Marina Person, Caio Horowicz e Ayra Kopém no elenco. A obra busca provocar reflexão sobre soberania, exploração de recursos naturais e o papel da Amazônia no cenário global.
Para os envolvidos no projeto, a expectativa é que “Vitória Régia” permaneça apenas como ficção — e não como um retrato possível do futuro.



