
A Corregedoria da Polícia Civil do Estado do Pará abriu procedimento para apurar a conduta funcional do delegado Carlos Guilherme Santos Machado, que atua no município de Abaetetuba, no nordeste do estado.
A investigação foi iniciada após a divulgação de mensagens atribuídas ao delegado em um grupo interno da delegacia. Os registros mostram comentários feitos às vésperas do Dia Internacional da Mulher, que foram interpretados por colegas de trabalho como ofensivos.
Em uma das mensagens divulgadas, ao ser questionado sobre a realização de um café da manhã na delegacia, o delegado respondeu: “café da manhã não garanto, mas se quiser uma pia cheia de louças a gente providencia”. Em seguida, acrescentou: “É pra ‘vcs’ se sentirem em casa nesse dia especial”.
As mensagens foram encaminhadas à Corregedoria da Polícia Civil, que abriu procedimento administrativo para apurar a conduta ética do servidor.
Condenação na Justiça da Paraíba
A repercussão das mensagens ocorre após decisão da Justiça da Paraíba envolvendo o delegado. Em fevereiro de 2026, o Tribunal de Justiça da Paraíba condenou Carlos Guilherme Santos Machado a sete anos e seis meses de prisão por atentado violento ao pudor, crime que atualmente integra o tipo penal de estupro.
O caso ocorreu em abril de 2009, na cidade de Cajazeiras, quando o investigado ainda atuava como promotor de Justiça. Segundo a sentença, a vítima foi atraída até a residência dele sob um pretexto e, no local, sofreu violência sexual. A mulher conseguiu deixar a casa e buscar ajuda.
A decisão foi assinada pelo juiz Ítalo Lopes Gondim, que considerou que as provas reunidas no processo confirmam a autoria e a materialidade do crime. O magistrado também registrou como agravante o fato de o acusado ocupar cargo público na época.
Mesmo com a condenação em primeira instância, o ex-promotor pode recorrer em liberdade.
Caso anterior levou à perda do cargo de promotor
Ainda em 2009, Carlos Guilherme se envolveu em outro episódio que resultou em processo criminal e procedimento disciplinar no Ministério Público da Paraíba.
Segundo registros do processo, durante uma discussão familiar na cidade de Cajazeiras, ele teria atirado no pé do irmão da então companheira. O caso levou à abertura de investigação criminal.
A apuração administrativa no Ministério Público resultou posteriormente na perda do cargo de promotor de Justiça.
Durante as investigações, a polícia também apreendeu na residência do então promotor uma arma com registro irregular e outros objetos relacionados ao inquérito.
Outras investigações citadas
Além desses casos, registros judiciais mencionam investigações envolvendo acusações de lesão corporal, constrangimento ilegal com uso de arma de fogo, tentativa de violação de domicílio e desobediência.
Parte dessas ocorrências foi analisada em processos judiciais e procedimentos administrativos no âmbito do Ministério Público da Paraíba.
Atuação como delegado no Pará
Após deixar o Ministério Público da Paraíba, Carlos Guilherme Santos Machado ingressou na Polícia Civil do Pará e passou a atuar como delegado em Abaetetuba.
Segundo a corporação, ele havia sido reprovado na etapa de investigação social do concurso público para delegado, mas conseguiu assumir o cargo após decisão judicial do Tribunal de Justiça do Pará, assinada pelo desembargador Mairton Marques Carneiro.
O que diz a Polícia Civil
Em nota, a Polícia Civil do Estado do Pará informou que abriu procedimento administrativo para analisar a conduta do delegado.
A instituição afirmou que ele será afastado das funções e ficará à disposição da Corregedoria enquanto as apurações forem conduzidas.
Segundo a polícia, a corporação ainda não havia sido notificada oficialmente sobre a decisão judicial do Tribunal de Justiça da Paraíba no momento da manifestação.
Defesa do delegado
Procurada, a defesa de Carlos Guilherme afirmou que o delegado exerce regularmente o cargo na Polícia Civil do Pará e que ingressou na carreira após aprovação em concurso público.
Os advogados também informaram que a condenação citada ainda possui recursos em tramitação, motivo pelo qual não haveria decisão definitiva.
A defesa declarou que está “convicta da inocência do Sr. Carlos Guilherme” e que trabalha para demonstrar isso no processo judicial.
Com informações de G1PA
Conteúdo relacionado:



