Fiepa aposta no petróleo da Margem Equatorial para transformar o Pará em polo industrial da Amazônia
Federação das Indústrias vê potencial para gerar mais de 50 mil empregos, impulsionar a construção naval, fortalecer a indústria metalmecânica e financiar a transição energética no estado
A Federação das Indústrias do Estado do Pará (Fiepa) decidiu entrar de vez no debate sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial. A entidade criou um Núcleo de Óleo e Gás com o objetivo de preparar empresas paraenses para uma possível nova fronteira econômica que pode surgir na costa da Amazônia.
Para a Fiepa, a descoberta e futura exploração de reservas de petróleo na região não representariam apenas mais uma atividade extrativista. A aposta é que o setor seja capaz de impulsionar uma profunda transformação econômica, industrial e logística no Pará, gerando empregos, fortalecendo cadeias produtivas e ampliando a arrecadação de municípios da região.
Segundo o presidente da entidade, Alex Carvalho, a iniciativa aproveita a experiência acumulada pela Rede Fiepa ao longo de 25 anos no desenvolvimento de fornecedores locais para grandes projetos de mineração, energia e indústria.
“Nós estamos nos antecipando. É uma cadeia produtiva que o Pará ainda não conhece, mas queremos preparar nossas empresas para participar desse mercado desde o início”, afirmou.
Mais de 50 mil empregos
Entre os impactos projetados pela Fiepa está a geração de mais de 50 mil postos de trabalho na Região Norte, além da criação de novas oportunidades para pequenas, médias e grandes empresas.
A expectativa é que a atividade estimule diretamente setores como metalurgia, mecânica industrial, logística, transporte, serviços especializados e construção naval.
Para a entidade, um dos maiores ganhos seria justamente a formação de um novo polo metalmecânico na Amazônia.
“O Pará já possui experiência industrial ligada à mineração. A chegada do setor de óleo e gás pode ampliar essa vocação e consolidar o estado como um centro regional de produção e serviços”, defendeu Carvalho.
Retomada da indústria naval
Outro setor apontado como potencial beneficiário é a construção naval.
A avaliação da Fiepa é que a exploração petrolífera exigiria embarcações, estruturas de apoio e serviços especializados que poderiam estimular a retomada de uma atividade historicamente presente na região amazônica.
A entidade também destaca a capacidade técnica existente nas universidades paraenses, especialmente na área de geociências.
Segundo a federação, instituições como a Universidade Federal do Pará (UFPA) já possuem tradição na formação de profissionais e na produção de pesquisas relacionadas à geologia, geofísica e recursos naturais.
Petróleo para financiar a transição energética
Apesar de defender o avanço da exploração petrolífera, a Fiepa afirma que o petróleo não deve ser visto como um fim em si mesmo.
A proposta da entidade é utilizar parte da riqueza gerada pela atividade para financiar a expansão de fontes renováveis de energia, como biodiesel, etanol e biogás.
A federação argumenta que a transição energética não ocorrerá de forma imediata e que os combustíveis fósseis ainda terão papel relevante nas próximas décadas.
“Nossa visão é usar os recursos gerados pelo petróleo para acelerar o desenvolvimento das energias renováveis”, argumenta a entidade.
Críticas aos entraves da exploração
A Fiepa também demonstrou preocupação com os atrasos no processo de licenciamento da campanha exploratória da Petrobras na Margem Equatorial.
Na avaliação de Alex Carvalho, parte da resistência ao projeto seria motivada por questões ideológicas e poderia colocar em risco a autossuficiência energética brasileira.
Segundo ele, projeções apontam que o Brasil poderá deixar de ser autossuficiente em petróleo a partir da próxima década caso novas reservas não sejam incorporadas à produção nacional.
A entidade ressalta, porém, que a exploração deve ocorrer sob rigoroso controle ambiental e respeitando comunidades tradicionais e populações locais.
Royalties podem mudar realidade dos municípios
Outro argumento apresentado pela Fiepa envolve os royalties do petróleo.
A expectativa é que municípios costeiros do Pará recebam receitas inéditas caso a exploração seja confirmada.
Segundo a entidade, cidades que hoje dependem fortemente de repasses governamentais poderiam passar a contar com recursos capazes de financiar investimentos em infraestrutura, saúde, mobilidade urbana e serviços públicos.
Para isso, contudo, a federação alerta que será necessário preparar as administrações municipais para evitar desperdícios e garantir o uso eficiente dos recursos.
Pará quer ser protagonista
Para a Fiepa, o Pará reúne características que o colocam em posição privilegiada para liderar esse novo ciclo econômico: localização estratégica na Amazônia, tradição industrial, capacidade logística e produção de conhecimento científico.
Enquanto a exploração ainda depende dos próximos passos da campanha exploratória e das decisões dos órgãos ambientais, a indústria paraense já se movimenta para ocupar espaço em uma atividade que pode redefinir o futuro econômico da região nas próximas décadas.



