O vídeo publicado pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, na última quarta-feira (6), provocou forte repercussão nacional ao abordar a exploração e a adultização de crianças na internet. A produção, que já ultrapassa 28 milhões de visualizações, mistura ironia e seriedade para chamar a atenção sobre um problema cada vez mais presente: o uso de menores em conteúdos que, ainda que disfarçados de entretenimento, acabam atraindo interações e comentários de cunho sexual, expondo os pequenos a riscos graves.
Entre os casos citados, Felca apontou perfis que, segundo ele, estariam monetizando vídeos de crianças em situações que simulam comportamentos adultos. A denúncia acendeu o alerta para pais e responsáveis sobre o que publicam e como monitoram a presença digital dos filhos. O youtuber também relacionou a questão à atuação de criminosos na internet e à manipulação de algoritmos, que podem favorecer a disseminação desse tipo de conteúdo para públicos inadequados.
Envolvimento de família paraense
No Pará, o caso das chamadas “Irmãs Terra”, moradoras de Itaituba, foi citado como exemplo preocupante. Os perfis das duas meninas acumulam milhares de seguidores e milhões de visualizações em vídeos com maquiagem pesada, roupas sugestivas e enquadramentos que favorecem a sexualização infantil. De acordo com o vídeo de Felca e críticas feitas por outros influenciadores, como a ex-BBB Gizelly Bicalho, até mesmo a edição das imagens para alteração de corpos para aproximar o aspecto físico das crianças ao de mulheres adultas.
Os conteúdos acabam atraindo não apenas elogios, mas também mensagens de teor sexual publicadas por perfis anônimos ou falsos. A permanência desses comentários sem moderação foi um dos pontos mais criticados, pois além de expor as menores, favorece o engajamento e, consequentemente, a monetização.
Pronunciamento dos pais
Após a repercussão, os pais das meninas, Leliane e Fábio, gravaram um vídeo afirmando que sempre supervisionaram os conteúdos e que não tinham noção do alcance e do tipo de público que poderia interagir com as postagens. Segundo eles, assim que perceberam comentários de cunho sexual, as publicações foram excluídas.
A mãe declarou que a produção de conteúdo sempre foi vista pela família como algo divertido e parte de um sonho das filhas, e que a monetização obtida até o momento é pequena. Ela também afirmou que as meninas são o “maior tesouro” da família, que nunca permitiria qualquer forma de exploração, e que pretende buscar assessoria jurídica para definir os próximos passos.
Um alerta aos pais
O caso agora repercute no meio político e entre a sociedade civil: até que ponto a exposição de crianças nas redes sociais pode ultrapassar a linha entre o entretenimento e a exploração? Especialistas ouvidos por Felca alertam que, independentemente da intenção dos responsáveis, a estética, a linguagem corporal e a forma de apresentação podem ser interpretadas de maneira errada por públicos perigosos, colocando a integridade física e psicológica das crianças em risco.
O Brasil possui legislação específica — como o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) — que protege menores contra qualquer forma de exploração, incluindo a sexualização em ambientes virtuais. A recomendação de entidades especializadas é clara: supervisionar constantemente o que é publicado, moderar comentários, evitar conteúdos que possam ser interpretados como sexualizados e, principalmente, priorizar a segurança e o bem-estar da criança em detrimento do alcance ou monetização.
Mais do que um caso isolado, a situação das “Irmãs Terra” reforça a necessidade de debate, fiscalização e conscientização sobre os riscos invisíveis da internet. O episódio serve como alerta para pais, educadores e autoridades: o que é visto como “apenas um vídeo” pode se transformar em porta de entrada para crimes graves contra crianças e adolescentes.
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