REGIONAL

HQ relembra escândalo do ranário e faz paralelo com operação Para Bellum da PF: “dono do Pará”

O Doutrinador, História em Quadrinhos (HQ) genuinamente brasileira com considerável sucesso na última década, relembrou nas suas redes sociais o escândalo do ranário.

O herói da HQ, Miguel, o Doutrinador, é um agente federal que vê sua filha levar um tiro (bala perdida) e morrer no hospital por falta de atendimento adequado na rede pública. Então, ele passa a culpar uma quadrilha de políticos que desviava verba da saúde e começa a exterminar todos os envolvidos (chegando até à presidenciáveis numa disputa eleitoral). É claro, que a corrupção se estende à vários níveis da engrenagem do sistema, e o “Doutrinador” precisa enfrentar até mesmo alguns de seus colegas na polícia!

O anti-herói brasileiro tem claras inspirações em Batman, O Justiceiro e o Rorschach, do Watchmen. Uma mistura dos três, talvez.

Além das referências acima, O Doutrinador tem o cenário político brasileiro como moldura para seu roteiro. E é aí que entra o escândalo do ranário, que ganha uma página inteirinha dedicada.

Para quem não recorda, esse escândalo ganhou repercussão nacional no início dos anos 2000 e envolveu Jader Barbalho, sua ex-esposa Márcia Centeno e a Sudam (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia).

De acordo com as investigações, a SUDAM teria destinado R$9,6 milhões que foram aplicados em um projeto de criação de rãs da então mulher de Jader. A empresa beneficiada, a Centeno & Moreira S/A, era de Márcia, do pai dela e de uma prima. Parte desse dinheiro nunca foi aplicado no projeto e, segundo o Ministério Público Federal, o senador recebia uma parcela desse montante.

Devido a esse escândalo, para não ser cassado, Jader Barbalho renunciou ao mandato de senador em outubro de 2001. Quatro meses depois teve a prisão decretada pela Justiça Federal do Tocantins. Jader foi preso em Belém e chegou algemado ao Tocantins, mas foi liberado após passar 13 horas na cadeia.

Jader Barbalho preso pela Polícia Federal em 2001.

Os esquemas de desvios geraram um rombo na SUDAM na ordem de R$200 milhões.

Depois de quase 20 anos, na última semana, com o filho Helder Barbalho governador do Pará, o sobrenome do maior feudo político da região Norte esteve novamente no centro das atenções devido as irregularidades na aquisição de respiradores para ajudar no combate à pandemia.

Se na década passada os recursos públicos foram parar em uma criação de rãs, hoje o Pará, sendo um dos estados mais atingidos pela pandemia do coronavírus, tem que lidar com mau uso do dinheiro público, conforme o parawebnews e outros blogs independentes vêm denunciando sistematicamente.

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar