Thiago Castanho quer mostrar ao mundo a força da gastronomia amazônica na COP30 em Belém
Chef paraense aposta no ingrediente símbolo da Amazônia, a mandioca, como fio condutor da culinária regional apresentada no restaurante Puba, no coração da Cidade Velha
Com a realização da COP30 em novembro deste ano, todos os olhares se voltarão para Belém. A capital da Amazônia brasileira será palco de um dos mais importantes encontros globais sobre mudanças climáticas. Para o chef Thiago Castanho, será também o momento de exibir ao mundo a riqueza da gastronomia amazônica — algo que ele faz com maestria há anos.
Famoso por seu trabalho à frente do extinto Remanso do Bosque, Castanho hoje divide seu tempo entre o restaurante Sororoca, em São Paulo, e o recém-inaugurado Puba, em Belém. Localizado na Cidade Velha, bairro histórico da capital paraense, o Puba ocupa um casarão de 1916 e aposta em um menu autoral com foco em ingredientes regionais — em especial, a mandioca, que, segundo o chef, é “um dos ingredientes mais importantes da Amazônia”.
O nome do restaurante faz referência direta à mandioca fermentada, conhecida como puba, base para bolos, biscoitos e outras receitas tradicionais da região. O ingrediente aparece em várias formas no cardápio, reforçando a identidade amazônica com toques contemporâneos e influências globais.
Tradição e criatividade no cardápio
Um dos destaques do menu é o bao de maniçoba, uma fusão criativa entre Ásia e Amazônia. O pão típico asiático é recheado com maniçoba cozida lentamente com carne de porco, depois regado com chilli oil e finalizado com farinha d’água de Bragança. Já nas sobremesas, a mandioca surge em um bolo de macaxeira leve, servido com bacuri fresco, creme inglês de chocolate branco e farinha de tapioca caramelizada.
Segundo Castanho, a proposta do Puba é ser um espaço mais descontraído e acessível. O ambiente comporta até 38 pessoas e o ticket médio varia de R$ 50 a R$ 300. “A ideia é que o Puba seja mais despretensioso do que um restaurante tradicional”, explica o chef.
A carta de vinhos do Puba foi elaborada pelas sommelières Daniela Bravin e Cássia Campos, do bar Sede261, em São Paulo. Juntas, elas assinam uma seleção de rótulos diferenciados, que dialogam com os sabores intensos da cozinha amazônica.
Um palco global para a mandioca
Na visão de Castanho, a COP30 representa uma oportunidade de ouro para mostrar a potência da culinária paraense e a sabedoria ancestral dos povos amazônicos, especialmente no uso de ingredientes nativos como a mandioca. Em um cenário global que discute sustentabilidade, diversidade e preservação, a cozinha da Amazônia se apresenta como uma expressão viva dessas pautas.



