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Tarifa de 50% dos EUA ameaça 3,6 mil empregos no Pará e impacta exportações de açaí e castanha

Sobretaxa norte-americana pode reduzir o PIB do Pará e afeta diretamente cadeias produtivas estratégicas da Amazônia, como o açaí e a castanha-do-pará.

A nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros já preocupa o Pará, estado que pode perder cerca de 3,6 mil empregos formais nos próximos dois anos, segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado (Fiepa) baseado em estudo da UFMG. A medida também deve reduzir em 0,33% o PIB paraense, com efeitos diretos em cadeias produtivas estratégicas da Amazônia.

O impacto atinge desde a indústria de transformação — responsável por mais de US$ 224 milhões em exportações para os EUA no primeiro semestre de 2025 — até a agropecuária e comunidades ribeirinhas que dependem da produção de açaí e castanha-do-pará. Produtos como alumínio, sucos de frutas, madeira tropical, pimenta-do-reino e caulim também estão entre os mais afetados pela nova política tarifária.

Açaí em risco

Símbolo da bioeconomia amazônica, o açaí paraense, que responde por 90% da produção nacional e tem os EUA como principal destino internacional, já sente os reflexos da sobretaxa. Em Castanhal, uma das maiores indústrias do setor teve contratos suspensos e registrou queda de 30% nas vendas externas. A empresa, que emprega 450 pessoas e planejava abrir 150 vagas durante a safra, agora prevê cortes.

“Alguns clientes estão adiando os embarques para avaliar o impacto das novas tarifas. Isso atinge não apenas a indústria, mas também centenas de famílias ribeirinhas que fornecem a fruta”, explica Suany Gomes, gerente de exportação da empresa.

Setores mais afetados

A dependência de poucos produtos torna a economia local ainda mais vulnerável. Na indústria extrativa, o caulim (80,45%) e a bauxita (19,54%) praticamente concentram toda a exportação para os EUA. Já na agropecuária, a pimenta-do-reino (61,96%) e a castanha-do-pará (22,92%) representam 85% do volume exportado.

Segundo Alex Carvalho, presidente da Fiepa, “qualquer barreira tarifária reduz a produção e compromete empregos ligados não só à indústria, mas também a serviços associados”.

Medidas e incertezas

De acordo com o Dieese, indústrias em Belém já anunciaram desligamentos de funcionários, enquanto o governo brasileiro aposta em medidas como o Plano Brasil Soberano, que prevê R$ 30 bilhões em crédito e incentivos às exportações.

No entanto, para especialistas do setor agropecuário, as medidas ainda não são suficientes. “O produtor rural não pode esperar. As safras seguem ciclos naturais e os custos acabam chegando ao consumidor”, afirma Guilherme Minssen, da Faepa.

Exportações em queda

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram que as exportações do Pará para os EUA caíram 13,6% em julho de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, os norte-americanos representam apenas 5% da pauta exportadora do estado, atrás da China, que responde por 45%.

Diversificação como saída

Para reduzir a dependência dos EUA, empresas paraenses buscam novos mercados. A indústria de açaí de Castanhal, por exemplo, abriu cinco novos destinos neste ano.

“Precisamos investir em inovação e agregação de valor, fortalecendo setores como a bioeconomia, a agroindústria e a mineração sustentável”, conclui Alex Carvalho.

Com informações de Oliberal

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