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Senador do Amazonas que bateu boca com Marina Silva já criticou obras de mobilidade em Belém

Em meio à polêmica com a ministra do Meio Ambiente, declarações antigas de Plínio Valério contra obras de mobilidade em Belém voltam à tona e reforçam postura agressiva e contraditória do senador

Na última terça-feira (27), o senador Plínio Valério (PSDB-AM) esteve no centro de um bate-boca durante audiência pública com a ministra Marina Silva (Meio Ambiente), quando afirmou que ela “não merece respeito” pelo cargo que ocupa. A declaração gerou críticas sobre a postura agressiva do parlamentar, marcada por declarações misóginas e desrespeitosas. Ainda em março, ele chegou a dizer que teve vontade de “enforcar” a ministra, em fala amplamente repudiada por parlamentares e movimentos sociais.

Com a nova onda de críticas, voltou a circular nas redes sociais outra polêmica protagonizada pelo senador amazonense: a crítica à construção da Avenida Liberdade, em Belém, feita também em março. Na ocasião, Plínio desdenhou da obra, que integra um projeto de mobilidade urbana fundamental para desafogar o trânsito da BR-316 e beneficiar trabalhadores de Marituba, Ananindeua e Benevides — municípios da Região Metropolitana da capital paraense.

A crítica foi recebida como desinformada e desrespeitosa, já que a avenida tem como foco principal facilitar o acesso de milhares de pessoas de baixa renda que enfrentam longas jornadas de deslocamento até o centro de Belém. Ao afirmar que a via atenderia apenas à elite, o senador ignorou a realidade social da população beneficiada pela obra.

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Além disso, a comparação feita por ele com a BR-319 — cuja pavimentação ele defende — foi vista como incoerente. A BR-319 atravessa áreas altamente preservadas da Amazônia e pode estimular o desmatamento, enquanto a Avenida Liberdade é uma intervenção urbana que busca justamente melhorar o transporte coletivo e reduzir impactos ambientais em uma área urbana consolidada.

As recorrentes falas polêmicas do senador também são acompanhadas de denúncias envolvendo sua conduta. Uma delas é a manutenção de um imóvel irregular dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé, em Manaus, que vem sendo alugado por mais de R$ 1.400 em plataformas como o Airbnb. O imóvel é administrado por sua enteada, que ocupa cargo comissionado no gabinete de outro senador. Outras duas filhas também têm cargos no poder público, levantando suspeitas de nepotismo.

Plínio Valério ainda defende a divisão do Pará, propondo novo plebiscito para a criação do estado de Tapajós — uma pauta já rejeitada nas urnas pela população paraense em 2011. A insistência do senador em temas que não dizem respeito ao seu estado tem causado desconforto entre lideranças políticas e sociais da região Norte.

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