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Projeto piloto cria bio fábricas no meio de florestas no Pará

Quatro comunidades do Pará foram selecionadas para receberem o projeto piloto que cria bio fábricas da cadeia do cacau e do cupuaçu, com objetivo de agregar valores à bioeconomia dos produtos extraídos da floresta.

A ideia do projeto é do climatologista Carlos Nobre e foi batizado de Amazônia 4.0. A ideia é criar uma bioeconomia com lógica de mercado capitalista, capaz de manter a floresta em pé. 

O Amazônia 4.0 começou a ser gestado em 2017 como uma resposta aos problemas ambientais e sociais que a região enfrenta. “Propomos um novo modelo para a floresta, que não seja nem o da conservação estrita e nem o da liberação completa de qualquer atividade, como a pecuária, a mineração e a monocultura de grãos”, diz o biólogo Ismael Nobre, irmão de Carlos e que colidera a iniciativa.

“Os estudos que fizemos mostraram que a razão para existir tão pouca riqueza econômica ligada à floresta é porque nunca houve a agregação de valor. Todos os ciclos de desenvolvimento foram de commodities, como borracha, ouro e até energia elétrica”, destaca.

A inauguração do modelo de minifábrica e dará em São José dos Campos, no Parque Tecnológico da Univap, onde as pesquisas têm sido desenvolvidas. A ideia é deixar a minifábrica — com projeto arquitetônico desenvolvido pelo croata naturalizado brasileiro Marko Brajovic — em exposição e fazer os testes e ajustes finais antes de encaminhá-la, de fato, à Amazônia.

A expectativa é que em fevereiro de 2022, o laboratório comece a circular nas quatro comunidades paraenses. Cada um desses locais escolhidos, possuem perfis diferentes, uma de mulheres trabalhadoras rurais, uma de quilombolas, uma de ribeirinhos e outra numa reserva extrativista.

“A Amazônia é o maior produtor de amêndoa de cacau, já à frente da Bahia. Mas a produção é feita no modo commodity, em que o valor aproximado de 1 quilo da amêndoa gira em torno de R$ 10, enquanto o quilo do chocolate fino, de amêndoa fermentada, sai a R$ 200 a R$ 300. É uma agregação de valor de 2000% ou mais”, diz Ismael.

Tecnologia embarcada – Todo o trabalho usado na fabricação do chocolate estão em maquinários acoplados em pequenos computadores, com softwares especiais e sensores, capazes de cuidar do controle fino do processo. 

“Dentro do paradigma da Amazônia 4.0, para a fabricação de chocolate, você interage com uma tela de controle, que é sensível ao toque. E qualquer pequena comunidade da Amazônia que tenha uma área de produção de cacau ou cupuaçu poderá facilmente ter um chocolate de altíssimo nível, fino, fabricado ali mesmo”, revela Nobre.

Todo o processo é rastreado de ponta a ponta e os dados são guardados em um banco de dados com tecnologia blockchain, que poderá ficar disponível publicamente através de um código de barras. “Esse fator será importante para a viabilidade desses produtos no mercado internacional, que se torna cada vez mais exigente em relação à origem dos produtos, às cadeias de fornecimento.”

A importância desse projeto é que as cooperativas passam a ser empresários, com mais negócios com mais membros envolvidos.

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