Missão deve marcar retorno de humanos à órbita da Lua em 2026
Nasa planeja lançar astronautas para missão de contorno lunar pela primeira vez desde o fim do programa Apollo
A missão Artemis 2, da Agência Espacial dos Estados Unidos (Nasa), está prevista para 2026 e deve marcar o retorno de astronautas a uma viagem além da órbita terrestre, com um trajeto de contorno ao redor da Lua. Será a primeira missão tripulada desse tipo em mais de 50 anos.
Entre 1968 e 1972, apenas nove voos levaram humanos à vizinhança lunar, iniciados pela Apollo 8 e encerrados com a Apollo 17. Desde então, nenhuma missão tripulada voltou a ultrapassar as proximidades da Terra. A Artemis 2 retoma esse tipo de operação em um contexto distinto, com maior cooperação internacional e protocolos de segurança mais rigorosos.
A tripulação será formada pelo comandante Reid Wiseman, pelos especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen, do Canadá, e pelo piloto Victor Glover. Será a primeira vez que um astronauta não norte-americano participa de uma missão tripulada ao redor da Lua.
Diferentemente da Apollo 8, a Artemis 2 seguirá uma trajetória de retorno livre, em que a nave é guiada de volta à Terra pela gravidade, sem necessidade de manobras adicionais de propulsão em órbita lunar. Mesmo assim, a missão levará os astronautas à maior distância já alcançada por humanos no espaço.
Lançamento e cronograma
A Nasa trabalha para realizar o lançamento a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, no início de fevereiro de 2026. O cronograma original previa a missão para abril, mas a agência avalia antecipar o voo. Caso o planejamento seja mantido, a Artemis 2 deve ocorrer até o fim do primeiro semestre.
A missão é considerada um passo inicial para uma nova etapa da exploração lunar. Estados Unidos e China disputam protagonismo na definição das regras para uso de recursos naturais da Lua e de outros corpos celestes. Ambos os países mantêm planos de retorno humano à superfície lunar.
A Nasa pretende realizar um pouso tripulado na Artemis 3, atualmente prevista para 2027, mas o cronograma depende do desenvolvimento da nave Starship, da SpaceX. A agência avalia alternativas caso haja atrasos. A China, por sua vez, afirma que pretende levar astronautas à Lua antes de 2030.
Missões não tripuladas e exploração científica
Além das missões tripuladas, 2026 também deve registrar avanços em projetos robóticos. A empresa Blue Origin planeja realizar seu primeiro pouso lunar não tripulado com o módulo Blue Moon Mark 1, desenvolvido inicialmente para transporte de cargas.
No campo científico, duas missões interplanetárias estão previstas para alcançar marcos importantes. A sonda BepiColombo, desenvolvida por Japão e Europa, deve entrar em órbita de Mercúrio em novembro, após ter sido lançada em 2018. Já a missão europeia Hera deve chegar ao asteroide duplo Dídimo em dezembro, para analisar os efeitos do impacto causado anteriormente pela missão Dart, da Nasa.
Esses avanços ocorrem em meio a discussões sobre restrições orçamentárias da Nasa. Especialistas avaliam que eventuais cortes podem afetar projetos futuros, uma vez que programas espaciais são planejados com anos de antecedência.
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