Levantamento mostra contraste entre emprego formal e dependência do Bolsa Família em cidades do Nordeste do Pará
Dados do Governo Federal revelam que, na maioria dos municípios analisados, o número de famílias beneficiadas pelo programa supera o total de trabalhadores com carteira assinada
Um levantamento realizado pela Rádio Ouro Verde FM, com base em dados oficiais do Governo Federal, revela um cenário de forte dependência do Bolsa Família em municípios do Nordeste paraense. Em grande parte das cidades analisadas, o número de famílias atendidas pelo programa social é superior ao total de trabalhadores com carteira assinada, evidenciando os desafios da geração de emprego formal na região.
Os dados consideram o estoque de empregos formais até abril de 2026 e os repasses do Bolsa Família realizados entre janeiro e abril deste ano.
Entre os municípios pesquisados, Viseu chama atenção por registrar apenas 504 trabalhadores com carteira assinada, enquanto 12.367 famílias recebem o Bolsa Família. No período, o município recebeu R$ 52,4 milhões em repasses do programa.
Situação semelhante ocorre em Capitão Poço, que possui 3.237 empregos formais e 12.960 famílias beneficiadas, com repasses que somam R$ 51,8 milhões.
Já Capanema apresenta o maior número de empregos formais entre os municípios analisados, com 8.724 trabalhadores, mas ainda contabiliza 11.780 famílias atendidas pelo Bolsa Família, que recebeu R$ 45,9 milhões em repasses no primeiro quadrimestre.
Outros municípios também apresentam uma diferença significativa entre emprego formal e beneficiários do programa:
- São Miguel do Guamá: 4.924 empregos formais e 8.517 famílias beneficiadas;
- Irituia: 700 empregos e 7.519 famílias;
- Mãe do Rio: 1.935 empregos e 7.077 famílias;
- Garrafão do Norte: 1.197 empregos e 5.404 famílias;
- Nova Esperança do Piriá: 361 empregos e 5.348 famílias;
- Santa Luzia do Pará: 311 empregos e 4.905 famílias;
- Cachoeira do Piriá: 179 empregos e 4.347 famílias;
- Ourém: 398 empregos e 3.995 famílias beneficiadas.
O levantamento evidencia que, nesses municípios, o Bolsa Família possui papel importante na movimentação da economia local, complementando a renda de milhares de famílias.
Ao mesmo tempo, os números reforçam o desafio enfrentado pela região para ampliar a oferta de empregos formais, atrair investimentos e fortalecer atividades econômicas capazes de gerar renda de forma sustentável.
Embora o número de famílias beneficiadas não possa ser comparado diretamente ao de trabalhadores com carteira assinada — já que uma família pode ter mais de um integrante e nem todos os beneficiários fazem parte da população economicamente ativa — os dados ajudam a dimensionar o peso do programa social na realidade econômica dos municípios analisados.



