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Jovens do “Garimpo” do Baiuca defendem ocupação do Mercado de São Brás e criticam preconceito contra público

Frequentadores afirmam que espaço histórico precisa atender diferentes públicos e celebram retorno de movimentos culturais e tribos urbanas ao mercado

O Mercado de São Brás voltou ao centro do debate sobre a ocupação dos espaços históricos de Belém. Jovens que frequentam o Baiuca defenderam nas redes sociais a utilização do mercado como ponto de encontro, convivência e atividades voltadas ao público jovem.

Os comentários surgiram em meio à discussão sobre a presença e as atividades realizadas no espaço. Para parte dos frequentadores, a revitalização do Mercado de São Brás não deve significar apenas a recuperação do prédio, mas também sua ocupação por diferentes públicos.

“Um lugar lindo sendo valorizado de uma forma divertida e organizada. E horário pra acabar”, comentou uma internauta, que classificou o Mercado de São Brás como um espaço que está “fazendo história”.

Outro comentário chamou atenção para a relação histórica entre o local e a cultura jovem da cidade. “Esse espaço que frequentava antes era esse público jovem. Quem lembra da Batalha da São Brás? Que reunia várias pessoas de várias tribos urbanas”, escreveu.

Para esse frequentador, a reforma do mercado também havia gerado preocupação com uma possível mudança no perfil do público. “Fiquei preocupado quando vi a reforma e os novos comerciantes, vendo um processo de gentrificação, quase que simbolicamente expulsando a galera e vendo chegar uma galera mais abastada. Mas agora fico feliz porque a galera está voltando a ocupar o espaço”, afirmou.

Espaço para todos

Outros comentários defenderam que o Mercado de São Brás não seja destinado a apenas um tipo de público.

“Por favor, não usem o ponto turístico. Gente, o mercado tem espaço para todos os gostos”, escreveu uma frequentadora.

Também houve quem lembrasse da situação do local antes da revitalização. “O espaço antes era abandonado, perigoso e ninguém reclamava. Como virou um point agora incomoda”, afirmou outro comentário.

Entre os defensores da ocupação, há ainda pedidos para que o poder público ofereça estrutura para atender ao público que passou a frequentar o espaço. “A prefeitura tem mais é que dar estrutura para quem está frequentando. Essa reclamação nem vem dos empresários do espaço. Aproveitem”, escreveu um internauta.

Nem todos os comentários, porém, foram positivos. Algumas pessoas fizeram críticas ao perfil do público que frequenta o “Baiuca”, inclusive com ataques à aparência e associações políticas. As manifestações também provocaram respostas de quem considera esse tipo de comentário uma demonstração de preconceito contra determinadas tribos urbanas.

O debate mostra uma discussão maior sobre o futuro do Mercado de São Brás. Após anos de abandono, o espaço passou por revitalização e voltou a integrar a rotina de Belém. Agora, o desafio envolve definir como um patrimônio histórico pode preservar sua estrutura e, ao mesmo tempo, permanecer acessível, movimentado e aberto à diversidade de públicos que compõem a cidade.

Para os jovens que defendem a ocupação, a presença de diferentes tribos, estilos e atividades faz parte justamente da função de um espaço público: ser um lugar de convivência para todos, e não apenas para um único perfil de frequentador.

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