NOTÍCIANOTÍCIASOPINIÃO

Globo sai desmoralizada após papelão nas eleições

A Globo enfrenta um dos momentos mais difíceis de sua história recente diante da ascensão de novas plataformas de comunicação.

A grande derrotada de 2026, pelo menos do ponto de vista simbólico, é a Globo. A emissora chega ao fim do primeiro turno das eleições depois de um ano marcado por sucessivos episódios que expuseram a perda de protagonismo de uma empresa que, durante décadas, esteve no centro dos grandes acontecimentos do país.

Primeiro veio o futebol. A Globo deixou de concentrar o mesmo domínio que historicamente exerceu sobre as transmissões esportivas, enquanto novos formatos e plataformas passaram a disputar diretamente a atenção do público. A CazéTV se tornou um dos principais símbolos dessa transformação.

Depois vieram as eleições. E, novamente, a Globo encontrou concorrentes ocupando espaços que durante muito tempo pareciam naturalmente destinados à emissora.

O ponto de inflexão foi o debate presidencial. O que durante décadas foi tratado como um dos momentos mais importantes da televisão brasileira acabou não acontecendo na Globo no primeiro turno. Enquanto isso, plataformas digitais passaram a ocupar o espaço deixado pela televisão tradicional.

O problema, portanto, não está apenas em um debate que deixou de ser realizado. Está no significado desse episódio.

A Globo não controla mais sozinha o ambiente no qual o brasileiro se informa, acompanha futebol, debate política ou escolhe qual conteúdo consumir. O celular colocou nas mãos do público uma quantidade de alternativas que simplesmente não existia quando a televisão aberta concentrava praticamente toda a atenção nacional.

É uma mudança estrutural.

Durante décadas, a força da Globo esteve justamente na capacidade de reunir milhões de brasileiros diante dos mesmos acontecimentos. Copa do Mundo, novelas, jornalismo e eleições faziam parte de uma mesma lógica de comunicação de massa. A emissora não precisava disputar cada espectador individualmente porque possuía uma posição central no mercado.

Essa realidade acabou.

A mídia tradicional continua relevante, mas perdeu a hegemonia que permitia estabelecer, praticamente sozinha, o ritmo da conversa pública. Hoje, um podcast, uma transmissão no YouTube, um corte publicado nas redes sociais ou uma entrevista em uma plataforma digital podem alcançar públicos enormes sem depender da televisão tradicional.

Foi isso que 2026 tornou particularmente evidente.

A CazéTV mostrou que uma grande competição esportiva pode ser acompanhada fora da televisão tradicional. O Flow mostrou, no campo político, que grandes audiências também podem ser mobilizadas por plataformas digitais.

E existe ainda outro fenômeno: a impossibilidade de controlar completamente a narrativa.

Uma cobertura jornalística pode ser criticada, analisada, recortada e confrontada em tempo real por milhares de pessoas. O público não precisa mais esperar pelo telejornal da noite para descobrir o que aconteceu ou para conhecer uma interpretação diferente sobre determinado acontecimento.

A grife continua existindo. A influência continua existindo. A relevância continua existindo.

Mas o monopólio acabou.

É justamente por isso que 2026 pode entrar para a história da Globo como um ano de inflexão. Não necessariamente porque a emissora deixou de ser importante, mas porque ficou mais difícil sustentar a ideia de que ela ocupa sozinha o centro da comunicação brasileira.

A televisão tradicional perdeu a exclusividade. A internet ganhou espaço. E o público ganhou alternativas.

O desafio da Globo, daqui para frente, talvez seja menos tentar recuperar um monopólio que não existe mais e mais compreender como atuar em um ambiente no qual ninguém consegue controlar sozinho a atenção dos brasileiros.

Depois de décadas em que o país se acostumou a olhar para a Globo como uma espécie de referência inevitável, 2026 deixou uma constatação difícil de ignorar: a comunicação brasileira mudou — e a Globo já não está sozinha no centro dela.

Etiquetas

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Botão Voltar ao topo
Fechar