O avanço dos incêndios florestais no Pará tem provocado preocupação com a qualidade do ar e ampliado a mobilização das equipes de combate às chamas. Dados da plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), citados pela CartaCapital nesta segunda-feira (19), apontam 922 focos ativos no estado, que ocupa a primeira posição no país nesse indicador.
Um dos locais afetados é Santarém, no oeste paraense. Na manhã desta segunda-feira, a plataforma internacional IQAir registrou índice de qualidade do ar de 260 no município, classificação considerada muito insalubre. A medição também apontou concentração de 185 microgramas por metro cúbico de material particulado fino, poluente que pode penetrar profundamente no sistema respiratório.
O distrito de Alter do Chão, conhecido pelas praias de água doce e pela atividade turística, também foi atingido pelas chamas, conforme informações divulgadas pela Brigada de Alter do Chão.
Governo federal amplia operação
Diante do avanço dos incêndios, o Ministério da Defesa ampliou a força-tarefa mobilizada para combater o fogo. No domingo (18), foram enviados mais cinco aviões adaptados para atuar na operação, elevando para 16 o total de aeronaves empregadas na região.
A estrutura também passou a contar com um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, instalado em Manaus, para reforçar a coordenação das ações. A ampliação busca fortalecer a resposta aos incêndios que atingem áreas da Amazônia.
Além das medidas de combate direto às chamas, o governo federal anunciou a previsão de instalação, nesta terça-feira (20), de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), destinada a reforçar o atendimento às pessoas afetadas pela poluição.
Fumaça aumenta preocupação com a saúde
A deterioração da qualidade do ar é um dos principais efeitos associados aos incêndios florestais. A fumaça contém partículas finas e outros poluentes que podem agravar problemas respiratórios e provocar irritação nos olhos e nas vias aéreas.
Em Santarém, o índice de 260 registrado pela IQAir indica uma condição muito insalubre segundo a classificação utilizada pela plataforma. A exposição à fumaça é especialmente preocupante para crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
A concentração de partículas finas apontada na medição também supera o valor de referência de 32 microgramas por metro cúbico para a média diária previsto na legislação brasileira, conforme os dados divulgados pela reportagem da CartaCapital.
O cenário reforça a importância do monitoramento da qualidade do ar e do atendimento à população exposta à fumaça, enquanto as equipes seguem mobilizadas para conter os incêndios.
Situação exige acompanhamento
O número de focos ativos e os indicadores de poluição mostram a dimensão do problema enfrentado pelo Pará neste momento. A ampliação da operação federal representa um reforço no combate às chamas, mas a evolução do cenário depende do controle dos incêndios e das condições ambientais nos próximos dias.
As informações foram divulgadas pela CartaCapital em reportagem publicada em 19 de outubro de 2026, com dados da plataforma Queimadas, do INPE, da IQAir e informações sobre as medidas adotadas pelo governo federal.



