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Cartilha católica com critérios para voto gera críticas entre bolsonaristas

Material da Diocese de São João da Boa Vista orienta fiéis a considerar valores cristãos nas eleições de 2026, sem citar candidatos, e provoca reação de apoiadores de Bolsonaro

A Diocese de São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, divulgou uma cartilha com orientações para os fiéis sobre as eleições de 2026. Intitulado “Como preservar a democracia?”, o material apresenta critérios para a escolha de candidatos com base em valores associados aos ensinamentos de Jesus Cristo.

O documento recomenda que os eleitores considerem princípios como amor ao próximo, perdão, defesa da vida, atenção aos mais pobres e preservação do meio ambiente. A cartilha utiliza passagens bíblicas para fundamentar as orientações e afirma que seu objetivo é oferecer critérios para que os fiéis avaliem os candidatos.

Entre as recomendações, a diocese orienta os eleitores a não escolherem candidatos que, segundo os critérios apresentados, propaguem ódio, defendam a pena de morte, armas indiscriminadamente ou discriminem mulheres, negros, indígenas e pessoas pobres. O texto também inclui entre os critérios a consideração sobre a crise climática.

Em outro ponto, a cartilha recomenda que os eleitores não apoiem projetos que incentivem a violência como solução para problemas de segurança pública. O documento afirma que esse tipo de abordagem pode atingir principalmente as populações mais vulneráveis.

A defesa da vida também aparece entre os critérios apresentados pela diocese. O material orienta os fiéis a considerarem candidatos que defendam a vida desde a concepção até a morte natural e cita posições contrárias ao aborto, à redução da maioridade penal e à eutanásia. A cartilha também relaciona o tema à defesa da moradia e ao combate às injustiças sociais.

Outro critério apresentado é o compromisso com os mais pobres. Nesse caso, a diocese recomenda que os eleitores priorizem candidatos que demonstrem compromisso com as pessoas em situação de vulnerabilidade, relacionando essa orientação à chamada opção preferencial pelos pobres presente na tradição cristã.

A preservação ambiental também aparece no documento. A cartilha orienta os fiéis a considerarem projetos que combatam desmatamento, poluição e perda de biodiversidade, além de defenderem a proteção dos biomas e a chamada justiça ambiental.

Apesar de não citar candidatos, partidos ou nomes específicos da política brasileira, o material provocou reação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Nas redes sociais, críticos acusaram a Igreja Católica de promover posições associadas à esquerda e de fazer campanha para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as manifestações publicadas nas redes sociais, houve críticas à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a CNBB, associando a entidade às posições apresentadas na cartilha. Também foram registrados comentários defendendo que o material fosse denunciado e até manifestações pedindo punições contra integrantes da Igreja.

As críticas, no entanto, partiram de uma interpretação política do conteúdo, já que o documento divulgado pela Diocese de São João da Boa Vista não apresenta apoio explícito a nenhum candidato ou partido. A cartilha estabelece critérios gerais para a avaliação dos postulantes a cargos públicos a partir dos valores que a própria diocese considera relacionados à doutrina e aos ensinamentos cristãos.

No encerramento, o documento afirma que a intenção é contribuir para a escolha de homens e mulheres que busquem exercer a política de maneira voltada à construção de uma sociedade considerada mais justa e fraterna. A proposta apresentada pela diocese, portanto, é orientar o eleitor a avaliar candidatos a partir de determinados princípios religiosos, sem indicar nominalmente uma candidatura específica.

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