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Bovinocultura do Pará supera US$ 1,1 bilhão em exportações no primeiro semestre

Setor respondeu por quase 40% das exportações do agronegócio paraense, com avanço nas vendas de carne bovina e liderança nacional na exportação de gado vivo

A bovinocultura se consolidou como um dos principais componentes das exportações do agronegócio paraense no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, a cadeia e seus derivados movimentaram US$ 1,117 bilhão no comércio exterior, valor 36,4% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. Em volume, foram embarcadas 304,03 mil toneladas, um crescimento de 14,3%.

Os números fizeram com que a pecuária respondesse por 39,75% de todas as divisas geradas pelo agronegócio do Pará nos seis primeiros meses do ano. A maior parcela veio da carne bovina, responsável por US$ 655,61 milhões, ou 58,71% do total. Na sequência aparecem os bovinos vivos, com US$ 438,80 milhões, equivalentes a 39,29% da receita. O couro bovino movimentou US$ 13,06 milhões, enquanto os demais produtos somaram US$ 9,26 milhões.

Somados, os segmentos de carne bovina e animais vivos alcançaram US$ 1,094 bilhão, concentrando cerca de 98% das receitas da cadeia no período.

Pará mantém liderança na exportação de gado vivo

No mercado de bovinos vivos, o Pará manteve a primeira posição entre os estados brasileiros. Nos primeiros seis meses de 2026, o estado respondeu por 53,68% do número de animais exportados pelo Brasil, 56,22% do volume em peso e 52,42% do faturamento nacional do segmento.

Foram exportadas 363,93 mil cabeças de gado pelos portos paraenses, crescimento de 15,8% em relação ao primeiro semestre de 2025. Em peso, os embarques chegaram a 160,55 mil toneladas, alta de 27,5%. A receita alcançou US$ 438,80 milhões, avanço de 51,7%.

Os maiores faturamentos mensais ocorreram em abril, com US$ 102,66 milhões, e junho, com US$ 101,92 milhões.

O comércio foi distribuído entre 11 mercados. Iraque e Marrocos aparecem na liderança, com US$ 109,7 milhões e US$ 106 milhões, respectivamente. Na sequência estão Egito, com US$ 76,5 milhões, Líbano, com US$ 51,5 milhões, e Turquia, com US$ 44,5 milhões. Juntos, os cinco principais compradores representaram 88,5% da receita obtida com a exportação de gado vivo.

Carne bovina amplia receita e valor por tonelada

As exportações de carne bovina também registraram crescimento no período. O Pará embarcou 115,24 mil toneladas, alta de 9,7% em relação ao primeiro semestre de 2025, enquanto o faturamento chegou a US$ 655,61 milhões, aumento de 30,4%.

A diferença entre o crescimento do volume e da receita refletiu na valorização média do produto. O valor por tonelada passou de aproximadamente US$ 4,78 mil no primeiro semestre de 2025 para US$ 5,69 mil em 2026, alta de 18,9%.

No ranking nacional de exportação de carne bovina, o Pará ocupa a sétima posição, respondendo por 6,90% do volume e 6,71% do valor exportado pelo Brasil.

A carne paraense chegou a 68 mercados, mas as vendas apresentaram forte concentração. A China foi responsável por US$ 504,1 milhões, equivalente a 76,9% da receita do segmento. Israel aparece em seguida, com US$ 38,5 milhões, seguido por Hong Kong, com US$ 24,8 milhões, Egito, com US$ 20,7 milhões, e Arábia Saudita, com US$ 9,5 milhões.

Os cinco principais destinos concentraram 91,1% do valor obtido com as exportações de carne bovina do estado.

Os dados do Observatório do Agro Paraense, do Sistema FAEPA/SENAR, mostram que a cadeia bovina paraense possui dois importantes modelos de comercialização externa. Enquanto a exportação de animais vivos mantém o estado na liderança nacional do segmento, a venda de carne apresenta maior valor médio por tonelada e representa a principal parcela da receita da bovinocultura.

Ao mesmo tempo, a concentração das vendas de carne no mercado chinês aparece como um dos pontos de atenção para a cadeia. A ampliação do número de compradores e o fortalecimento da capacidade de processamento e das estruturas sanitárias são apontados como caminhos para ampliar a participação da produção paraense no mercado internacional.

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