Arte amazônida chega a Portugal com exposição imersiva criada em Belém
Mostra estreia no Porto nesta quinta-feira (29), com obras de artistas indígenas e amazônidas, projeções audiovisuais e trilha sonora que reúne ritmos contemporâneos e cantos tradicionais.

A produção artística da Amazônia atravessa o Atlântico para ocupar um espaço cultural em Portugal. Criada em Belém, a exposição Amazonia Immersive Art estreia nesta quinta-feira (29), na Casa das Máquinas, no Porto, com obras de artistas amazônidas e indígenas apresentadas por meio de pinturas, fotografias, vídeos, música e tecnologias imersivas. A mostra permanece em cartaz até 30 de abril de 2027.
Dirigido pelas artistas paraenses Roberta Carvalho, responsável pela direção artística e curadoria de artes visuais, e Aíla, que assina a direção artística e musical, o projeto propõe apresentar a região a partir das narrativas de seus próprios artistas e povos. A iniciativa também busca estabelecer um diálogo entre recursos digitais e conhecimentos ancestrais, abordando temas como memória, identidade, território e ancestralidade.
O percurso expositivo foi organizado em três salas. A primeira, intitulada Refloresta, reúne imagens que relacionam a floresta e seus povos. A segunda apresenta obras de sete artistas e coletivos, entre eles o MAHKU, formado por artistas indígenas do povo Huni Kuin, a fotógrafa paraense Elza Lima, a artista maranhense Gê Viana e o artista paraense PV Dias.
Já a terceira sala é dedicada à ancestralidade e à escuta, com trabalhos do escritor e pensador indígena Ailton Krenak, da artista e cineasta Keila Sankofa, do artista e escritor indígena Jaider Esbell, falecido em 2021, e do artista marajoara Ronaldo Guedes. A experiência inclui ainda um cântico da cantora indígena Djuena Tikuna, em língua tikuna, junto com Aíla.
Na parte musical, a trilha sonora foi criada pelo artista e produtor indígena amazonense Nelson D e reúne diferentes expressões da cultura amazônica, como cantos tradicionais Huni Kuin, música afro-indígena e carimbó marajoara. Participam da composição artistas como Cashi Silva, Agojy de Exu, Cláudio Lavôr, Djuena Tikuna, Ibã Sales Huni Kuin, Mestre Dikinho, em memória, o grupo Tambores do Pacoval e Olinda Silvano, artista indígena do povo Shipibo-Konibo, do Peru.
A primeira edição da Amazônia Imersiva foi realizada na Casa das Onze Janelas, em Belém, e reuniu cerca de 30 artistas e coletivos do Brasil e do exterior. Segundo as informações divulgadas pela organização, a mostra recebeu mais de 30 mil visitantes e contou com projeções em 360 graus, instalações, apresentações musicais e experiências audiovisuais. A temporada no Porto marca a primeira itinerância internacional do projeto.



