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Advogado preso em Salinópolis nega ter resistido à prisão e acusa delegado de abuso de autoridade

José Luiz de Araújo Mindello Neto afirma que está sendo alvo de "linchamento moral", diz que prestou socorro após o atropelamento e promete responsabilizar delegado e equipe policial.

O advogado José Luiz de Araújo Mindello Neto, conselheiro seccional da OAB-PA e presidente da Comissão de Direito Previdenciário da entidade, se pronunciou publicamente sobre a prisão ocorrida no último domingo (12), em Salinópolis, no nordeste do Pará.

Em um vídeo publicado nas redes sociais na quarta-feira (15), com cerca de seis minutos de duração, José Luiz contestou a versão apresentada pelas autoridades, negou ter resistido à prisão e afirmou ser vítima de um “linchamento moral” provocado pela divulgação de informações que considera falsas.

“Nossa Constituição garante que todo cidadão e toda cidadã têm direito à defesa. Entre eles estou eu, que enfrento um verdadeiro linchamento moral em portais e redes sociais, com mentiras, leviandades e até o uso de um vídeo de 2023 como se retratasse um evento de 2026”, declarou.

Advogado afirma que prestou socorro

No pronunciamento, José Luiz confirmou que estava na Praia do Atalaia quando ocorreu o episódio que motivou sua prisão, mas apresentou uma versão diferente da inicialmente divulgada.

Segundo ele, foi acusado de atingir uma mulher enquanto realizava uma manobra de ré com o veículo. O advogado afirma que a mulher não apresentava ferimentos graves e que, mesmo assim, ofereceu atendimento imediato.

“Fui acusado de atingir uma mulher no momento em que dava ré no meu carro. A suposta vítima estava bem, mas mesmo assim ofereci socorro e, inclusive, me prontifiquei a levá-la ao hospital.”

Ainda de acordo com ele, durante o deslocamento até a unidade de saúde, teria sido agredido pelo marido da mulher. Em seguida, o veículo foi abordado em uma blitz, onde informou aos agentes que estava justamente prestando socorro.

Acusações contra delegado

José Luiz também direcionou críticas ao delegado Heráclito Freire Gomes Neto, responsável pela ocorrência.

Segundo o advogado, após a mulher informar que era policial militar, ele passou a receber tratamento incompatível com a legislação e sofreu abuso de autoridade.

Ele afirma que foi jogado ao chão, algemado com as mãos para trás e mantido por cerca de 36 horas em uma cela comum.

“Disseram que resisti. Nunca apresentei resistência. Apenas requeri o cumprimento das prerrogativas previstas em lei.”

O advogado também questionou se teria recebido o mesmo tratamento caso a vítima não fosse policial militar ou se ele próprio exercesse outro cargo público.

Sindpol rebate versão do advogado

As declarações foram contestadas pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol-PA).

Em nota, a entidade afirmou que os policiais civis atuaram dentro da legalidade e defenderam a conduta da equipe da Delegacia de Salinópolis.

Segundo o sindicato, o advogado teria atropelado um casal de policiais militares, deixado o local do acidente e sido interceptado posteriormente por agentes do Detran.

O Sindpol também sustenta que, ao ser conduzido à delegacia, José Luiz teria se recusado a cumprir a ordem de recolhimento à cela, situação que, segundo a entidade, caracterizaria resistência à prisão.

Caso segue sob investigação

José Luiz afirmou que responderá aos fatos no âmbito do inquérito policial e que pretende buscar a responsabilização do delegado e dos agentes envolvidos pela suposta prática de abuso de autoridade, violência e prevaricação.

O caso ganhou ampla repercussão após a divulgação de vídeos da prisão e da manifestação da OAB-PA, que alegou possíveis violações às prerrogativas da advocacia durante a condução do advogado.

As circunstâncias do atropelamento, da abordagem policial e da prisão continuam sendo investigadas pelas autoridades competentes.

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