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A retirada de 938 toneladas de lixo da Escadinha: a última do “Ed potoca”

O local não teria sido limpo há mais de 12 anos

Na campanha para prefeitura de Belém de 2016, o então candidato pelo PSOL, Edmilson Rodrigues, publicou em suas redes sociais um vídeo em que, em uma casinha humilde de vila, cheia de goteiras e infiltrações, dizia que sobrevivia do salário de professor e que seu patrimônio se resumia a um automóvel Pálio, dois fuscas e duas bicicletas. Ou seja, nem casa própria ele possuía.

Ora, desde que entrou para vida política, em 1986, Edmilson já havia ocupado os cargos de deputado estadual, Prefeito de Belém por dois mandatos e deputado federal. Não dava para engolir né!

O vídeo, certamente criado por sua equipe de marketing- quero crer- tinha o objetivo de humanizar o candidato a fim de identificá-lo com o grande público, todavia, o tiro parece ter saído pela culatra. Edmilson exagerou tanto na dose que acabou ganhando o apelido de “Ed Potoca” naquela eleição.

Se não acreditam, digite o apelido na pesquisa do Facebook e vejam lá quem aparece.

“Potoca” em uma linguagem bem paraense, significa mentira. Ora, a história era tão inverossímil que não conseguiu convencer nem seus próprios seguidores.

Pois bem, desde que assumiu a prefeitura Edmilson parece que só vem confirmando o apelido que recebeu.

Querem ver? A última, foi uma postagem que fez sobre a limpeza da Escadinha do Ver-o-Peso.

Usando suas redes socias, Edmilson Rodrigues resolveu gabar-se de ter retirado do local 938 toneladas de lixo. Foi mais além, acusou os últimos gestores da cidade, depois dele é claro, de praticamente nunca terem limpado o local. “depois de mais de 12 anos de abandono”

Alguns portais de notícia, com informações trazidas pela prefeitura, chegaram a afirmar, literalmente, que o local não era limpo há mais de 12 anos. ( G1 , Rede Pará)

Mas quando analisamos as toneladas de resíduos que se alega ter retirado de lá, já se percebe que alguma coisa não se encaixa. A SESAN informou que seriam 120 mil toneladas. ( Veja aqui). Já o presidente da FUMBEL, Michel Pinho, fala em 638. Edmilson, por sua vez, como vimos, afirma que foram retirados 938. Faltou combinar com os russos né?!!.

A Secretária da SESAN, Ivanise Gasparini, para mostrar serviço, afirmou que Escadaria possui 14 degraus, mas que seis deles estariam escondidos debaixo do lixo acumulado por mais de uma década.

Não precisa ser nenhum especialista em limpeza ou em Ver-o-peso para deduzir que, se o local não tivesse sido limpo há mais de 12 anos, não só os 6 degraus estariam cobertos pelo lixo, senão todos os 14.

Basta uma pesquisa rápida na web para vermos que Edmilson, novamente, “exagerou na dose”. Só no ano de 2020 houveram pelo menos três limpezas.

Limpeza manual da Escadinha do Ver-o-Peso em , 23/05/2020

Limpeza mecânica com retroescavadeira na Escadinha do Ver-o-Peso em 09/10/2020.

Limpeza no dia 11/01/2020

A conversa dos seis degraus escondidos sob o lixo também parece ser outra história da carochinha. Primeiro porque a escadinha só tem 12 degraus. Sugundo, que basta comparar as fotos para ver que no máximo surgiu apenas mais um.

Para não sermos acusados de estarmos pegando no pé do prefeito levianamente, nas imagens da tal limpeza percebemos que, de fato, houve uma “escavação” além dos degraus da escadinha, o que não havia antes.

Portanto, com uma ginástica interpretativa e deixando de lado os exageros, podemos chegar à uma conclusão bem mais modesta de que “há mais de 12 anos não se dragava a Escadinha do Ver-o-Peso”.

Como se sabe, a dragagem é um processo que se destina a remoção de solo e sedimentos do fundo do rio, ou seja, terra e lama, que se acumularam ao longo do tempo devido ao assoreamento natural dos rios e canais.

Ou seja, Edmilson retirou 120, 638 ou 938 toneladas de terra e lama e não de lixo.

Dizem que Cézar, o imperador romano, possuía um escravo só para lembra-lo de suas imperfeições, de tanta bajulação que recebia todos os dias.

Pelo jeito, Edmilson vai precisar de um assessor especial, que fique ao seu lado 24 horas por dia apenas para lembra-lo : “menos Edmilson, menos”.

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