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A cabeça de Parsifal

Por Eduardo Cunha

Sem sombra de dúvidas, nesta semana a “chapa esquentou” aqui em Belém com a chegada da Polícia Federal para cumprir mandados de busca e prisões na operação “SOS”, que investiga e desarticula organização criminosa no alto escalão do Governo do Pará, dedicada a desvios de recursos públicos na área da saúde que deveriam ser usados no combate à pandemia do novo coronavírus. 

Ao todo, foram 12 contratos entre o Governo do Pará e Organizações Sociais (OS) entre agosto de 2019 e maios de 2020, totalizando R$ 1,2 bilhões desviados. Eu falei bilhão!!!

Mas se a coisa não ficou nada, nada boa para o governador Helder Barbalho que, além das buscas, foi chamado de “possível chefe da organização criminosa” em relatório da Polícia Federal (PF), para Parsifal Pontes, seu ex-“tutor”, secretário e operador, certamente, a coisa ficou muito pior, conquanto, Parsifal teve prisão temporária decretada. 

Se Helder anda com o rabicó que não passa uma agulha, pois especula-se em Brasília que seu afastamento é inevitável, tal qual aconteceu com o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ao menos, não está vendo o sol nascer quadrado como seu antigo braço direito, que não obstante estar preso temporariamente, sabe que sua prisão de cinco dias, que já foi prorrogada por mais cinco dias, pode ser substituída logo, logo por uma preventiva, sem tempo definido.

Parsifal – Aqui para nós, Helder tem mesmo razão de estar preocupado, principalmente, com futuras delações que seus antigos companheiros “exonerados” podem vir a negociar com o Ministério P[ublico.

Nos bastidores, comenta-se que desde o dia 26 deste mês, Helder já tinha pleno conhecimento da operação “SOS” e que, um dos seus objetivos seria a prisão de seu operador, à época, secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme) e  secretário de Estado de Comunicação (Secom), interino, Parsifal Pontes.

Parsifal estaria, inclusive, de viagem marcada com a família para Fortaleza (CE) e foi convencido a adiar pelo próprio governador, que lhe contou da operação, omitindo, contudo, o fato de sua prisão.

Quando o mandado foi cumprido em sua residência – aquela, em cujo interior já foi encontrado até máquina de contar dinheiro – a esposa de Parsifal, Ann Pontes, protagonizou uma verdadeira cena de novela do tipo “Bibi Perigosa” ou daquelas mulheres de traficante barraqueiras que parecem ter saído de um filme de José Padilha ou Fernando Meirelles.

Xingando Helder de todos os impropérios possíveis, só saiu da frente da casa dos Barbalho, no Lago Azul, em Ananindeua, depois que a primeira dama Daniela lhe atendeu e lhe acalmou . Em uma de suas ameaças, a ex-deputada federal Ann Pontes bradava para quem quisesse ouvir “Se ele não falar, falo eu”

Beltrame – O ex-secretário de saúde de Helder e colecionador de artes com acervo  no valor de R$ 40 milhões de reais, Alberto Beltrame, é outro que já pode estar negociando uma delação com o Ministério Público Federal (MPF). Ora, que outro motivo teria o ministro Francisco Falcão, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para pedir a prisão de Peter Cassol de Oliveira (ex-secretário de Gestão Administrativa da Secretaria de Saúde do Pará – Sespa), mas não a de Beltrame?

Achas que está com uma pinta de delação premiada vinda por aí? Eu acho que tem a onça pintada inteira, mas vamos esperar as cenas dos próximos capítulos. 

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