Águas do Pará: bloco de Belém tem prejuízo de R$ 35,9 milhões no 3º trimestre; bloco D reduz perda a R$ 854 mil
Unidades responsáveis pela Região Metropolitana de Belém e por municípios do interior registraram resultados negativos entre julho e setembro; investimentos e endividamento também cresceram.
As duas concessionárias da Águas do Pará que já divulgaram balanço terminaram o terceiro trimestre de 2026 no vermelho, mas com perdas menores do que no trimestre anterior. A Águas do Pará A, responsável pela Região Metropolitana de Belém, registrou prejuízo líquido de R$ 35,9 milhões, queda de 53,2% frente ao segundo trimestre. A Águas do Pará D, que atua em municípios do interior, teve prejuízo de R$ 854 mil, 95% menor na mesma comparação.
A receita líquida da unidade A chegou a R$ 112,7 milhões, alta de 1,1%. Segundo a companhia, o avanço veio principalmente da receita de água e da ampliação da cobertura dos serviços. O Ebitda, porém, seguiu negativo em R$ 10,9 milhões, com margem de -9,7%, resultado que a empresa atribui à expansão gradual das operações. O investimento (capex) subiu 42,2%, para R$ 72,7 milhões, e a dívida líquida chegou a R$ 1,39 bilhão, alta de 4%. A empresa também informou que o volume faturado caiu no período, mas explicou que isso decorreu de uma revisão na forma de contabilizar os clientes beneficiados pela isenção tarifária, sem efeito sobre a receita.
No bloco D, a receita líquida foi de R$ 19,8 milhões (+9%) e o Ebitda ficou negativo em R$ 9,1 milhões, o que a empresa atribui à fase inicial de expansão. O capex foi de R$ 40,7 milhões (+2%). A dívida líquida, de R$ 106,9 milhões, cresceu 274%, movimento ligado à primeira emissão de debêntures da companhia, cujo saldo era de R$ 262,9 milhões. Nos primeiros seis meses de operação, a concessionária concentrou esforços na recuperação da infraestrutura existente, o que, segundo a empresa, trouxe mais regularidade ao abastecimento, melhorou a qualidade da água e ampliou a capacidade dos sistemas.
Os números refletem o início de uma concessão de longo prazo. O contrato dos blocos A, B e D dura 40 anos e prevê R$ 15,2 bilhões em investimentos, com meta de universalizar o acesso à água tratada até 2033 e de levar coleta e tratamento de esgoto a todos os blocos até 2039, ou até 2033 no bloco A. Resultados negativos no começo são comuns em projetos de infraestrutura, mas a dívida elevada e o Ebitda negativo vão precisar de acompanhamento nos próximos trimestres.



