Possível abuso de poder econômico leva MP a pedir inelegibilidade de Daniel e aliados no Pará
Ação eleitoral aponta possível uso de consultas e distribuição de óculos para promoção política durante a pré-campanha de 2026

O Ministério Público Eleitoral acionou a Justiça para pedir que o governador eleito do Pará, Daniel Barbosa Santos, o Doutor Daniel, fique inelegível por oito anos. A representação também envolve a deputada federal Alessandra Haber (MDB), esposa do político, e o deputado estadual eleito Alexandre Gomes. O órgão aponta suspeitas de abuso de poder econômico e político relacionadas ao projeto social Olhar Cidadão.
De acordo com a ação, atendimentos oftalmológicos gratuitos realizados em diferentes municípios paraenses teriam sido associados à imagem dos políticos em período anterior à campanha eleitoral. A iniciativa oferecia consultas, exames de vista e óculos a pessoas em situação de vulnerabilidade. As atividades mencionadas pelo Ministério Público ocorreram em dezembro de 2025, quando Daniel ainda era prefeito de Ananindeua e já se apresentava como pré-candidato ao governo do Pará.
Entre os elementos citados na representação estão veículos adesivados, banners e publicações nas redes sociais que relacionariam os atendimentos aos investigados. O MP também menciona a entrega de mais de cem óculos em caixas personalizadas com imagens dos políticos. Além de Ananindeua, o projeto teria realizado ações em Tucuruí, Breu Branco, Jacundá e Viseu.
O Ministério Público questiona ainda a comprovação da origem dos recursos utilizados na iniciativa. Segundo a ação, os envolvidos atribuíram o financiamento a doações privadas, mas não teriam apresentado documentação considerada suficiente pelo órgão. A avaliação do MP é de que a estrutura do projeto pode ter sido usada para obter vantagem eleitoral, hipótese que ainda depende de análise judicial.
A representação solicita, além da inelegibilidade por oito anos, a cassação dos registros ou diplomas eleitorais dos investigados e a suspensão de novas atividades do projeto vinculadas às imagens deles. Os pedidos ainda precisam ser julgados pelo TRE-PA. Até que haja decisão, as acusações devem ser tratadas como alegações do Ministério Público, e não como irregularidades definitivamente comprovadas.



