Flávio Bolsonaro teria participado de festa em lancha com lobistas e prostitutas durante a pandemia, diz revista
Segundo reportagem da revista piauí, encontro ocorreu em Brasília, em julho de 2020, e reuniu empresários ligados à negociação da vacina Covaxin; publicação também relata que o senador teria recebido um relógio Rolex.
Uma reportagem da revista piauí afirma que o senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, participou de uma festa em uma lancha no Lago Paranoá, em Brasília, em julho de 2020, durante a pandemia de Covid-19. O encontro teria reunido empresários ligados à Precisa Medicamentos, lobistas e três garotas de programa levadas de São Paulo à capital federal.
A reportagem foi publicada em 21 de outubro e repercutida pela Folha de S.Paulo. Segundo a publicação, a reunião foi organizada pelos empresários Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, ligados à Precisa Medicamentos, em um período no qual buscavam aproximar-se de integrantes do governo federal para viabilizar a negociação da vacina indiana Covaxin.
O episódio ocorreu enquanto o Brasil enfrentava a pandemia de Covid-19, antes do início da vacinação da população contra a doença no país. Naquele momento, a negociação de imunizantes era um dos principais assuntos da agenda política nacional.
Empresários ligados à negociação da Covaxin
De acordo com a reportagem da piauí, o encontro aconteceu em 17 de julho de 2020. Os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano teriam participado da organização do passeio, com apoio do agente de viagens Raphael Barão.
Os dois empresários estavam ligados à Precisa Medicamentos, empresa que atuou como intermediária na negociação da Covaxin com o Ministério da Saúde. A vacina era produzida pelo laboratório indiano Bharat Biotech, e a empresa afirmava representar os interesses do fabricante no Brasil.
Segundo a publicação, Flávio Bolsonaro chegou à embarcação acompanhado de Alexandre Santini, que era seu amigo e sócio em uma franquia da rede de chocolates Kopenhagen. A reportagem também relata a presença de três mulheres levadas de São Paulo para Brasília.
O encontro teria ocorrido em meio às tentativas dos empresários de estabelecer relações com integrantes do governo federal. A existência da festa, por si só, não comprova que tenha havido irregularidade na negociação da vacina ou contrapartida por parte do senador.
Reportagem relata entrega de relógio Rolex
Outro ponto destacado pela revista é a suposta entrega de um relógio de luxo a Flávio Bolsonaro ao final do passeio. Segundo a publicação, Danilo Trento teria retirado um relógio Rolex que usava no próprio pulso e o entregado ao senador, que teria deixado a embarcação usando o acessório.
A reportagem afirma que a reconstrução do episódio foi feita a partir de depoimentos de pessoas relacionadas ao caso, documentos e registros de deslocamentos aéreos. A publicação também consultou fontes que teriam conhecimento de encontros semelhantes realizados em embarcações na capital federal.
Os relatos sobre o presente e as circunstâncias da festa foram atribuídos à apuração jornalística. Até a publicação da notícia, não havia manifestação dos envolvidos citados que esclarecesse os pontos apresentados.
Relação com as investigações da CPI da Covid
A relação entre integrantes da Precisa Medicamentos e o governo federal já havia sido discutida durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, realizada pelo Senado em 2021. A comissão investigou a atuação do governo federal durante a crise sanitária e possíveis irregularidades nas negociações de vacinas.
A compra da Covaxin entrou no centro das apurações após questionamentos sobre o processo de contratação e relatos de pressão para acelerar procedimentos relacionados ao negócio. A aquisição acabou suspensa antes que o contrato fosse executado.
Francisco Maximiano e Danilo Trento foram ouvidos no contexto das investigações parlamentares. O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de diversas pessoas, incluindo empresários ligados à negociação. Recomendações de indiciamento feitas por uma comissão parlamentar não equivalem a condenações judiciais.
A reportagem da piauí também menciona que, meses depois do passeio, Flávio Bolsonaro teria ajudado a viabilizar uma reunião entre Maximiano e Gustavo Montezano, então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O encontro teria tratado de possibilidades de financiamento para um empreendimento relacionado ao setor de telecomunicações.
Envolvidos não haviam se manifestado
Segundo as informações publicadas, Flávio Bolsonaro não havia comentado os relatos sobre a festa na lancha até o fechamento da reportagem. Danilo Trento e representantes de Francisco Maximiano também foram procurados, mas não apresentaram respostas à publicação.
As informações sobre o encontro, o suposto presente e as relações entre os participantes foram apresentadas pela revista como resultado de uma apuração baseada em diferentes fontes e registros. Eventuais responsabilidades relacionadas aos fatos dependem de esclarecimentos e de comprovação pelas instâncias competentes.



