Dono do Líder critica fim da escala 6×1 e provoca reação nas redes sociais
Oscar Rodrigues afirmou que um dia de descanso semanal seria suficiente e questionou o que trabalhadores fariam com uma folga extra; declarações geraram críticas sobre as condições de trabalho no setor supermercadista.
O empresário paraense Oscar Rodrigues, proprietário da rede de supermercados Líder, provocou uma onda de críticas nas redes sociais após publicar um vídeo em que questiona o fim da escala de trabalho 6×1. Na gravação, compartilhada em seu perfil no Instagram, ele comenta a proposta de redução da jornada semanal e aparece se exercitando em um ambiente que aparenta ser uma academia particular em sua residência.
Ao abordar a possibilidade de adoção do modelo 5×2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, Oscar questionou o que os trabalhadores fariam em casa com um dia a mais de folga por semana. A declaração gerou reações de seguidores que defenderam o direito ao descanso e criticaram a visão apresentada pelo empresário sobre o tempo livre dos funcionários.
Empresário afirma que um dia de descanso é suficiente
Durante o vídeo, Oscar reconhece que a rede de supermercados deverá cumprir a legislação, mas demonstra insatisfação com a perspectiva de ampliação do descanso semanal. “E, olha, guerreiros, guerreiras, vocês ganharam. Parabéns. Agora é só cinco dias pra semana, obrigação de trabalhar. Valeu”, declarou.
Em seguida, reforçou que a empresa deverá respeitar as regras legais. “A gente vai cumprir a lei. (…) E a lei tem que ser cumprida”, afirmou.
Na sequência, o empresário questionou como os trabalhadores utilizariam o tempo livre adicional e defendeu que um dia de descanso seria suficiente. “Pra mim, um dia pra descansar já tá mais do que suficiente. Se ficar todos os dias parado, andando de ônibus de graça pela rua, não vai prestar”, disse.
Oscar também recorreu a um ditado popular para sustentar seu argumento: “Mente parada é a oficina do diabo”. Ao final, incentivou os seguidores a continuarem trabalhando e a reservarem o descanso às necessidades do corpo.
Declarações geram críticas nas redes sociais
As falas provocaram comentários que ironizaram a preocupação do empresário com o tempo livre dos trabalhadores e questionaram a capacidade de adaptação da rede de supermercados a uma eventual mudança na jornada.
“Seu Oscar, se não conseguir manter 5×2 feche esse seu quiosque que você chama de supermercado. Passar bem!”, escreveu uma seguidora.
Outro usuário destacou o contraste entre o ambiente em que o empresário aparece no vídeo e as dificuldades enfrentadas por trabalhadores que dependem do transporte público, enfrentam longos deslocamentos e cumprem jornadas no comércio.
“É muito fácil mandar o povo ‘trabalhar’ enquanto se caminha na esteira dentro do conforto de casa, sem enfrentar ônibus lotado, calor, horas de deslocamento e o desgaste de quem sustenta a própria rede de supermercados com o suor do rosto”, escreveu.
O internauta também criticou a ideia de associar o trabalho contínuo a uma suposta virtude, sem considerar as condições enfrentadas por quem depende do salário para viver. “Uma coisa é incentivar o trabalho; outra, bem diferente, é romantizar o sofrimento alheio enquanto se fala do conforto do próprio lar”, acrescentou.
Trabalhadores do comércio também são mencionados
Outros comentários destacaram o esforço físico exigido de funcionários de supermercados, especialmente daqueles que atuam no abastecimento, na movimentação de mercadorias e no atendimento ao público.
“Claro que pra você é suficiente, você não carrega uma caixa de 20 kg, não pega ônibus”, escreveu outro seguidor.
Também houve questionamentos sobre as diferenças entre as condições de vida do empresário e as de seus funcionários, incluindo o tempo disponível para realizar tarefas domésticas, preparar refeições e descansar após o expediente.
Parte das manifestações associou a defesa de jornadas mais longas a uma visão ultrapassada das relações de trabalho e argumentou que os dias de folga são importantes para a convivência familiar, o lazer e a recuperação física e mental.
A repercussão evidencia o debate em torno da escala 6×1, especialmente em setores como o supermercadista, nos quais muitos trabalhadores cumprem jornadas que incluem fins de semana e feriados. Para os críticos da declaração, a discussão não se limita à quantidade de dias trabalhados, mas envolve também a qualidade de vida e o direito de aproveitar o tempo fora do serviço.



