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Pará fecha 2025 com R$ 38,4 bilhões em produção agrícola e mantém a dianteira na Amazônia

Estado ficou na 9ª posição do ranking nacional do IBGE, com soja, açaí e cacau entre os principais produtos

O Pará encerrou 2025 com R$ 38,4 bilhões em valor de produção agrícola, segundo a Produção Agrícola Municipal (PAM) divulgada pelo IBGE, ficando entre os dez estados líderes do país. O resultado combina R$ 17,84 bilhões gerados pelas lavouras temporárias, puxadas pela soja, e R$ 20,53 bilhões pelas lavouras permanentes, onde açaí e cacau seguem concentrando a maior parte da riqueza gerada no campo. O desempenho reforça o papel do estado como o principal motor agrícola da Região Norte, que somou R$ 73,4 bilhões no ano, e evidencia como Pará combina, de um lado, a expansão do agronegócio de grãos típico do Centro-Oeste, e, de outro, cadeias amazônicas que nenhum outro estado do país reproduz na mesma escala.

Nas lavouras temporárias, a tabela do IBGE mostra a soja isolada na liderança, com R$ 8,38 bilhões, praticamente a metade de tudo que o Pará produziu nessa categoria em 2025. A cultura ocupou 1,32 milhão de hectares e rendeu 4,37 milhões de toneladas, concentrada sobretudo na microrregião de Santarém, no Baixo Amazonas, onde municípios como Mojuí dos Campos e Belterra despontam como polos de expansão do grão dentro da Amazônia. Atrás da soja aparece a mandioca, com R$ 4,32 bilhões, cultura de presença mais pulverizada pelo território paraense e historicamente ligada à agricultura familiar, e o milho, com R$ 2,87 bilhões, cultivado em grande parte na mesma faixa produtora de soja. Arroz e feijão fecham a lista, com valores bem menores, R$ 215 milhões e R$ 58,5 milhões respectivamente, o que confirma que, fora a soja, a agricultura de grãos no Pará ainda é modesta perto de estados do Centro-Oeste.

Já nas lavouras permanentes, o retrato é distinto. O açaí segue como o produto mais valioso do estado, com R$ 8,33 bilhões, sozinho equivalente ao que a soja rendeu em toda a categoria de temporárias. A cultura ocupou 270,6 mil hectares colhidos e produziu 1,87 milhão de toneladas, resultado que reafirma o Pará como responsável pela quase totalidade do açaí produzido no Brasil. Na sequência está o cacau, com R$ 6,16 bilhões, cultura que vem em trajetória de crescimento acelerado nos últimos anos e reforça o eixo do Xingu e do sudeste paraense como nova fronteira da cacauicultura nacional. Dendê, pimenta-do-reino e banana completam o pelotão principal, com R$ 2,56 bilhões, R$ 1,18 bilhão e R$ 1,07 bilhão. Juntos, açaí e cacau respondem por 70,6% de todo o valor das lavouras permanentes do estado, o que mostra o quanto essas duas cadeias amazônicas seguem sendo o alicerce da economia agrícola paraense, mesmo com o avanço dos grãos.

O contraste entre as duas frentes é o que melhor resume a agricultura do Pará em 2025. Enquanto o oeste do estado, sobretudo em torno de Santarém, se integra cada vez mais às rotas do agronegócio de soja e milho que também movem estados como Mato Grosso, primeiro colocado nacional com R$ 165,6 bilhões, o restante do território segue sustentado por cadeias que não têm equivalente em nenhuma outra região do país. É essa combinação, e não apenas o avanço dos grãos, que explica por que o Pará aparece entre os dez maiores produtores agrícolas do Brasil, num ranking dominado por estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

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