A Globo, a TV Liberal, afiliada da emissora no Pará, e a Rede Amazônica, afiliada em estados da região Norte, passaram a ser alvo de críticas nas redes sociais após uma reportagem sobre a onda de calor e a seca na Europa. Internautas questionaram a escolha da pauta e afirmaram que as condições climáticas enfrentadas atualmente pela Amazônia também deveriam receber maior atenção da imprensa. As manifestações destacaram a percepção de que o Norte costuma ter menor espaço no noticiário nacional. Parte dos comentários também cobrou uma cobertura mais próxima dos impactos das mudanças climáticas na região.
A repercussão ocorreu após uma reportagem exibida pelo Fantástico abordar a seca e as mudanças climáticas na Alemanha e em países vizinhos. Nas redes sociais, usuários compararam a situação apresentada na televisão com o calor registrado na região Norte do Brasil e questionaram a diferença de atenção dada aos dois cenários.
“Reportagem do Fantástico sobre a seca e mudanças climáticas na Alemanha e países vizinhos, enquanto que o Norte do Brasil está sendo assolado por um clima igualmente quente e desfavorável à nossa realidade”, escreveu um internauta.
Outro comentário questionou a ausência de uma cobrança mais direta às autoridades brasileiras diante das previsões climáticas e dos possíveis impactos de um novo episódio de El Niño.
A discussão também trouxe críticas históricas à cobertura da região Norte pela imprensa nacional. “Primeiro que nunca ligaram pro Norte, mas deixa as consequências da Amazônia chegar lá pro Sul, de novo, que de repente eles lembram da gente aqui”, afirmou um usuário.
Outros internautas disseram que a região costuma ganhar maior espaço no noticiário quando acontecimentos relacionados à Amazônia passam a produzir consequências em outras partes do país, especialmente no Sul e Sudeste.
Justificativa também gera críticas
A repercussão aumentou após relatos de uma resposta dada por um apresentador de jornal. Segundo os comentários publicados nas redes sociais, a justificativa para a diferença de abordagem seria que os brasileiros estariam mais acostumados ao calor, enquanto os europeus não teriam a mesma adaptação a temperaturas elevadas.
A explicação foi criticada por usuários, que consideraram que a maior frequência de altas temperaturas no Norte não deveria diminuir a relevância jornalística de eventos extremos registrados na região.
“Jornal Nacional, o Norte faz parte do Brasil ainda”, escreveu outro internauta.
As críticas também alcançaram a cobertura de eventos climáticos dentro do próprio país. Um dos comentários afirmou que reportagens nacionais sobre o clima brasileiro frequentemente se concentram em Rio de Janeiro e São Paulo, deixando outras regiões em segundo plano.
O debate reacende a discussão sobre a distribuição da cobertura jornalística no Brasil e sobre a necessidade de dar maior atenção às diferentes realidades climáticas do país. Para os críticos, a Amazônia deveria ser acompanhada de maneira mais próxima, especialmente diante de eventos de calor, seca e outros fenômenos extremos registrados na região.



