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MANAUARAS: Grupo com mais de 14 mil membros é acusado de promover ataques racistas contra paraenses

Publicações compartilhadas em grupo que reúne moradores de Belém e Manaus usam imagens e mensagens para fazer associações depreciativas envolvendo a aparência e a origem dos paraenses

Publicações compartilhadas no grupo “Metrópoles da Amazônia Belém e Manaus”, no Facebook, têm gerado críticas por supostamente promoverem conteúdo racista e xenofóbico contra paraenses. Com mais de 14 mil membros, o grupo reúne discussões relacionadas às duas capitais, mas algumas postagens passaram a utilizar estereótipos relacionados à cor da pele e à origem dos moradores do Pará. Entre as imagens estão montagens aparentemente produzidas com inteligência artificial, que apresentam pessoas negras associadas a situações utilizadas para ridicularizar paraenses. Em outra publicação, uma imagem coloca pessoas identificadas como amazonense e paraense lado a lado, acompanhada de uma mensagem em tom de provocação. Até o momento, não há manifestação pública dos Ministérios Públicos do Pará e do Amazonas sobre o caso.

Grupo no facebook. Foto: Reprodução

Uma das publicações mostra uma família formada por pessoas negras utilizando camisas com a bandeira do Pará. Sobre a imagem, aparece a frase “Casei com meu tio”, enquanto a publicação questiona, em tom depreciativo, se essa seria a representação de uma “família tradicional no Pará”.

A imagem aparenta ter sido produzida ou modificada digitalmente com auxílio de inteligência artificial. O conteúdo utiliza características físicas e elementos associados à população negra para construir uma representação depreciativa dos paraenses.

Outra publicação compartilhada no grupo apresenta dois homens, um vestindo uma camisa do Amazonas e outro com uma camisa com a identificação do Pará. A postagem traz uma mensagem em tom de provocação e emojis de risada. Embora a imagem, isoladamente, não contenha uma afirmação racial explícita, ela aparece no contexto de outras publicações que fazem comparações depreciativas entre moradores dos dois estados.

O conteúdo chama atenção justamente porque utiliza diferenças de aparência, cor da pele e origem regional como elementos para tentar desqualificar um grupo de pessoas. Esse tipo de associação ultrapassa a tradicional rivalidade ou provocação entre moradores de estados diferentes quando passa a utilizar características raciais ou étnicas como motivo de inferiorização.

O que dizem os dados do Censo

Os dados do Censo Demográfico 2022 ajudam a mostrar a diversidade da população dos dois estados e também colocam em perspectiva as generalizações feitas nas publicações.

Segundo o IBGE, o Pará tinha 8.120.131 habitantes no Censo 2022. Desse total, 5.673.446 pessoas se declararam pardas, 1.570.281 brancas e 793.621 pretas. Havia ainda 12.432 pessoas que se declararam amarelas e 3.221 indígenas no quesito de cor ou raça.

No Amazonas, que tinha 3.941.613 habitantes, 2.711.618 pessoas se declararam pardas, 725.007 brancas e 193.667 pretas. O estado também registrou 5.963 pessoas amarelas e 490.935 indígenas segundo o quesito de cor ou raça.

Em termos proporcionais, a população parda representa cerca de 69,9% dos moradores do Pará e 68,8% dos habitantes do Amazonas. Já a população branca corresponde a aproximadamente 19,3% no Pará e 18,4% no Amazonas. A população preta representa cerca de 9,8% no Pará e 4,9% no Amazonas.

O próprio IBGE destaca que a declaração de cor ou raça é baseada na autodeclaração dos entrevistados, dentro das categorias branca, preta, parda, amarela e indígena.

Os números mostram, portanto, que os dois estados possuem populações majoritariamente pardas e marcadas por uma forte diversidade racial e étnica. A tentativa de estabelecer uma suposta superioridade entre paraenses e amazonenses a partir da aparência ou da cor da pele não encontra respaldo nos dados demográficos.

Até o momento, não houve manifestação pública identificada do Ministério Público do Pará ou do Ministério Público do Amazonas sobre as publicações mencionadas. Também não há, até agora, informação sobre eventual investigação relacionada ao conteúdo divulgado no grupo.

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