Raio-X da crise no PL: denúncia na PF, acusações de corrupção, pedido de cassação e guerra pública entre Éder Mauro e Zezinho Lima
Em entrevista exclusiva ao jornalista Diógenes Brandão, Zezinho Lima detalhou as acusações contra Éder Mauro, anunciou denúncia à PGR e falou sobre o racha interno no PL no Pará. Assista a entrevista completa acessando o link no final da matéria.
O embate entre o deputado federal Éder Mauro (PL) e o vereador de Belém Zezinho Lima (PL) transformou-se em uma das maiores crises políticas recentes dentro do Partido Liberal no Pará. O caso envolve denúncias de corrupção, acusações de compra de testemunhas, ameaças, disputa interna pelo comando da direita paraense e possíveis desdobramentos na esfera judicial.
Como começou
A crise ganhou dimensão pública quando Éder Mauro divulgou um vídeo nas redes sociais acusando Zezinho Lima e o presidente da Câmara de Belém, John Wayne (MDB), de arquitetarem uma denúncia falsa para prejudicá-lo politicamente.
Segundo o deputado, ambos teriam pago R$ 20 mil a um ex-assessor ligado ao vereador Mayky Vilaça para produzir um vídeo com acusações contra ele.
Para sustentar sua versão, Éder apresentou:
- comprovantes de transferências via Pix;
- conversas de WhatsApp;
- registros de ligações.
O deputado afirmou que tomará medidas judiciais.
A resposta de Zezinho Lima
Poucas horas depois, Zezinho reagiu com um vídeo nas redes sociais.
No pronunciamento, chamou Éder Mauro de “delegado vagabundo”, afirmou que iria à Polícia Federal denunciar o deputado e o acusou de participar de um suposto esquema de corrupção envolvendo emendas parlamentares destinadas à saúde.
A denúncia na Polícia Federal
Na quarta-feira, Zezinho compareceu à sede da Polícia Federal, em Belém.
Segundo ele, entregou um pendrive contendo:
- extratos bancários;
- comprovantes de transferências;
- conversas;
- áudios;
- documentos.
O vereador afirma que esse material comprovaria um esquema de devolução de parte de recursos provenientes de emendas parlamentares.
Até o momento, não há confirmação pública de abertura de inquérito pela Polícia Federal com base nesse material.
O que Zezinho acusa
Durante entrevista ao PoderCast, da TVC Pará, Zezinho detalhou sua versão.
Segundo ele:
- um ex-assessor identificado como Lucas teria movimentado mais de R$ 1 milhão;
- esse dinheiro seria proveniente de um suposto esquema envolvendo emendas parlamentares;
- empresas contratadas por prefeituras devolveriam entre 20% e 30% dos valores das emendas;
- os recursos passariam por contas de terceiros.
O vereador pediu que a Polícia Federal solicite a quebra dos sigilos bancários dos envolvidos.
Essas acusações não foram comprovadas até o momento e deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.
Os R$ 20 mil
Zezinho admitiu que:
- ele;
- sua irmã;
- John Wayne
transferiram cerca de R$ 20 mil para Lucas.
Segundo sua versão, o dinheiro não foi pagamento por denúncia.
O vereador afirma que o ex-assessor enfrentava:
- problemas financeiros;
- dívidas com jogos;
- ameaças.
Por isso decidiu ajudá-lo financeiramente.
A versão de Éder Mauro
Para Éder Mauro, esses mesmos pagamentos demonstram justamente o contrário.
O deputado afirma que:
- Lucas teria sido pago para gravar acusações falsas;
- Zezinho e John Wayne organizaram uma tentativa de desgastar sua imagem;
- as conversas e os comprovantes de Pix sustentam essa versão.
O parlamentar nega qualquer irregularidade envolvendo emendas parlamentares.
Denúncia à Procuradoria-Geral da República
Como o caso envolve um deputado federal, Zezinho anunciou que levaria o material também à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os pedidos anunciados pelo vereador estão:
- investigação;
- quebra dos sigilos bancários;
- cassação do mandato;
- responsabilização criminal de Éder Mauro, caso os fatos sejam comprovados.
Pedido de cassação de vereador
Além do deputado, Zezinho também anunciou que pretende pedir a cassação do vereador Mayky Vilaça, apontado por ele como participante do suposto esquema.
Segundo Zezinho, Lucas era assessor do gabinete de Mayky.
Acusações de ameaças
Outro ponto levantado por Zezinho foi a alegação de que Lucas teria sido:
- ameaçado;
- levado para um galpão;
- agredido.
O vereador afirma ter entregue gravações sobre esse episódio à Polícia Federal.
Essas alegações também não foram confirmadas pelas autoridades.
O racha no PL
O conflito expôs uma divisão interna no Partido Liberal no Pará.
Segundo Zezinho, a crise teria relação direta com as eleições de 2026.
O vereador afirma que é pré-candidato a deputado estadual e acusa Éder Mauro de tentar impedir sua candidatura por receio de perda de espaço político.
Já integrantes ligados ao grupo de Éder defendem medidas disciplinares dentro do partido.
O que dizem os envolvidos
Éder Mauro
- Nega todas as acusações.
- Afirma ser vítima de uma armação política.
- Diz possuir provas de que houve tentativa de fabricar denúncias falsas.
- Informa que adotará medidas judiciais.
Zezinho Lima
- Afirma ter provas de corrupção.
- Diz ter acionado a Polícia Federal.
- Anuncia denúncia na PGR.
- Pede investigação, cassação e responsabilização criminal.
O que já é fato
✔ Houve troca pública de acusações entre os dois parlamentares.
✔ Zezinho apresentou documentos à Polícia Federal e anunciou denúncia à PGR.
✔ Éder Mauro divulgou vídeos, conversas e comprovantes de Pix para contestar as acusações.
✔ Zezinho confirmou as transferências de R$ 20 mil para o ex-assessor, mas afirma que foram ajuda financeira.
✔ Até o momento não existe decisão judicial, denúncia formal aceita pela Justiça ou condenação relacionada às acusações feitas por qualquer das partes.
O caso agora depende da análise dos órgãos competentes, que deverão avaliar os documentos apresentados e decidir se há elementos para a abertura de investigações ou adoção de outras medidas legais.



