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Projeto bilionário da Belo Sun volta à Justiça sob pressão de indígenas e questionamentos sobre licença

Tribunal discute validade da licença de instalação da mineradora canadense na região da Volta Grande do Xingu; audiência de conciliação ocorre nesta quarta-feira (24)

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) retoma nesta quarta-feira (24) a análise da licença de instalação do Projeto Volta Grande, empreendimento da mineradora canadense Belo Sun Mining Corp na região da Volta Grande do Xingu, no sudoeste do Pará.

A discussão judicial ocorre após novos questionamentos sobre a autorização concedida em abril de 2026 pela Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará (Semas), além de pedidos da empresa para revisão de parte das condicionantes impostas ao licenciamento.

A audiência de conciliação está marcada para as 9h, no Núcleo Central de Conciliação do TRF1, em Brasília. O resultado poderá influenciar o julgamento do recurso principal, previsto para o dia 1º de julho, que decidirá sobre a validade da licença.

O que está em discussão no TRF1?

O processo analisa a legalidade da Licença de Instalação emitida pela Semas para o Projeto Volta Grande, que pretende implantar uma mina de ouro na região próxima ao Rio Xingu e a terras indígenas.

Entre os pontos questionados estão:

  • A realização de consultas às comunidades indígenas e tradicionais afetadas;
  • Os impactos socioambientais do empreendimento;
  • A forma como o licenciamento ambiental foi conduzido;
  • As condicionantes impostas para a execução das obras.

A licença atualmente autoriza apenas o início das obras de infraestrutura do projeto. A extração de ouro dependerá de uma futura Licença de Operação.

Comunidades indígenas pedem suspensão da licença

Povos indígenas e organizações que acompanham o caso defendem a suspensão imediata da autorização concedida pela Semas.

O Movimento de Mulheres Indígenas do Médio Xingu (MMIMX) informou que não concorda com a negociação de direitos indígenas no âmbito da audiência de conciliação e considera que a licença deveria ser suspensa antes de qualquer avanço do empreendimento.

As lideranças também apontam impactos acumulados na região após a implantação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

Belo Sun pediu revisão de condicionantes

Em maio, a Belo Sun protocolou pedido à Semas para revisar, retificar ou excluir 21 das 89 condicionantes estabelecidas na Licença de Instalação.

Segundo a empresa, os pedidos fazem parte do trâmite administrativo do licenciamento e envolvem esclarecimentos técnicos relacionados à implantação do projeto.

As condicionantes são obrigações ambientais e sociais que precisam ser cumpridas para a manutenção da licença.

Contrato entre Incra e Belo Sun também é alvo de disputa

Outro processo relacionado ao empreendimento envolve um contrato firmado entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Belo Sun para uso de 2.428 hectares de terras públicas federais.

A 12ª Turma do TRF1 analisaria o caso nesta quarta-feira, mas o julgamento foi retirado da pauta após pedidos de sustentação oral.

A Justiça Federal de Altamira já havia declarado o contrato nulo em novembro de 2024, entendendo que a área permanecia vinculada à política de reforma agrária.

Críticos apontam fragmentação do licenciamento

Entidades contrárias ao projeto afirmam que a Licença de Instalação não contempla estruturas consideradas centrais para o funcionamento da mina, como a Cava Ouro Verde e a barragem de rejeitos.

Segundo documentos apresentados no processo, haveria dúvidas sobre a forma como essas estruturas seriam licenciadas futuramente.

Também são questionadas alterações no sistema de captação de água previsto para o empreendimento.

Estudos divergem sobre riscos do projeto

A disputa judicial inclui análises técnicas sobre a segurança das estruturas previstas para o empreendimento.

A Belo Sun sustenta que os estudos indicam condições adequadas de segurança. Já especialistas independentes contestam os critérios utilizados e apontam riscos relacionados à barragem de rejeitos e a possíveis impactos sobre o Rio Xingu.

Entre os estudos apresentados está o do geofísico Steven Emerman, que questiona os cenários de segurança apresentados pela empresa.

O que dizem Belo Sun, Semas e Ibama?

Belo Sun

A mineradora informou que o Projeto Volta Grande segue submetido ao processo de licenciamento ambiental brasileiro em caráter faseado e condicionado.

A empresa afirma que a atual Licença de Instalação estabelece parâmetros apenas para a etapa atualmente autorizada e que eventuais alterações continuam sujeitas à análise da Semas.

Também declarou que respeita os direitos das comunidades indígenas e as decisões das autoridades competentes.

Semas

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará informou que a licença foi emitida em cumprimento a decisão judicial.

O órgão afirmou ainda que exigiu atualização do projeto minerário e do projeto de engenharia, além de impor restrições como:

  • Proibição de captação de água do Rio Xingu;
  • Prioridade para rejeito a seco;
  • Monitoramento socioambiental com participação da Funai e de consultores indicados por povos indígenas.

Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que o licenciamento é de competência estadual, conforme a Lei Complementar 140/2011.

O órgão declarou que não conduz o processo e não acompanha o andamento mais recente do licenciamento, já que o procedimento não tramita em sua esfera administrativa.

Projeto é discutido há mais de uma década

O Projeto Volta Grande é discutido no Pará há cerca de 14 anos e envolve disputas judiciais, questionamentos ambientais e manifestações de comunidades da região do Xingu.

A decisão do TRF1 poderá definir os próximos passos do licenciamento e do andamento do empreendimento minerário no sudoeste paraense.

Com informações de G1PA

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