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Biblioteca em Belém guarda livros de quase 500 anos e preserva tesouros da história da Amazônia

Instalada em um casarão histórico no centro da capital paraense, a Biblioteca Fran Paxeco reúne cerca de 40 mil obras e abriga exemplares impressos antes mesmo da fundação de Belém

Em meio ao movimentado centro histórico de Belém, um dos mais impressionantes patrimônios culturais da Amazônia permanece pouco conhecido até mesmo por muitos moradores da cidade. No terceiro andar de um casarão centenário, a Biblioteca Fran Paxeco guarda cerca de 40 mil itens, incluindo livros raros impressos há quase 500 anos.

Vinculada ao Grêmio Literário e Recreativo Português, a instituição foi fundada em 1867, ainda durante o período imperial brasileiro, e preserva parte importante da memória da imigração portuguesa na Amazônia. Atualmente, o espaço é aberto gratuitamente para pesquisadores, estudantes e visitantes interessados em conhecer um dos acervos mais valiosos da região Norte.

Entre as raridades está o livro “Phila”, publicado em 1528 e escrito em latim. A obra é mais antiga que a própria cidade de Belém, fundada apenas em 1616. Outro destaque é “Chronographia y Repertorio de los Tiempos”, do astrônomo espanhol Francisco Vicente de Tornamira, impresso em 1585.

O acervo reúne ainda clássicos da literatura e da história europeia, como uma edição ilustrada de “Dom Quixote”, publicada em 1723, além de exemplares históricos de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões, e uma ampla coleção dedicada ao escritor português Camilo Castelo Branco.

Mais do que uma biblioteca, o espaço funciona como um verdadeiro guardião da memória cultural luso-amazônica. Ao longo de mais de um século e meio, livros, jornais, documentos e publicações foram incorporados ao acervo por meio de compras realizadas na Europa e doações feitas por famílias portuguesas que se estabeleceram na região.

Um dos aspectos que mais chama atenção é a forma como as obras são preservadas. Mesmo em uma cidade marcada pelo calor e pela elevada umidade, os livros permanecem conservados graças às características originais do prédio histórico, que possui paredes espessas, pé-direito elevado e ventilação natural permanente.

Nos últimos anos, a biblioteca passou por um amplo processo de higienização, conservação e catalogação, permitindo a organização detalhada do acervo e preparando o caminho para novos projetos de preservação e divulgação.

A Biblioteca Fran Paxeco nasceu inspirada nos antigos gabinetes de leitura criados por comunidades portuguesas espalhadas pelo Brasil durante o século XIX. O objetivo era preservar a língua, a cultura e o intercâmbio de conhecimento entre os imigrantes. O espaço de Belém foi o quinto gabinete literário português fundado no país.

Hoje, além de representar um importante centro de pesquisa, a biblioteca também se consolida como um dos mais fascinantes atrativos culturais da capital paraense. Um lugar onde história, literatura e memória atravessam séculos e permanecem vivas no coração da Amazônia.

Quem passa pela rua dificilmente imagina que, atrás das fachadas históricas do centro de Belém, repousam obras impressas ainda no século XVI. Um patrimônio silencioso que ajuda a contar não apenas a história de Portugal, mas também a formação cultural da própria Amazônia.

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