Belém lidera renda no Norte e supera Manaus, apesar da Zona Franca e do maior PIB da Amazônia

Durante anos, Manaus foi apresentada como a grande potência econômica da Amazônia graças à Zona Franca e ao enorme volume de riquezas geradas por seu parque industrial. No entanto, quando o assunto é a renda que efetivamente chega ao bolso da população, o cenário é outro: a Região Metropolitana de Belém aparece hoje na liderança da Região Norte.
Dados do Boletim Desigualdade nas Metrópoles nº 17, que acompanha indicadores socioeconômicos das principais regiões metropolitanas brasileiras entre 2012 e 2025, apontam que a Região Metropolitana de Belém alcançou renda domiciliar per capita média de R$ 2.034 em 2025, a maior entre as metrópoles nortistas analisadas.
O resultado coloca Belém à frente de Manaus, cuja renda média foi de R$ 1.685, e também de Macapá, que registrou R$ 1.789.
Na prática, isso significa que, apesar de Manaus possuir uma economia muito maior em termos de Produto Interno Bruto (PIB), a riqueza gerada não se traduz necessariamente em maior renda para a população em geral.
Belém amplia renda e reduz pobreza
O levantamento mostra que os indicadores sociais da metrópole paraense avançaram significativamente nos últimos anos.
Entre 2022 e 2025, a renda média dos moradores da Região Metropolitana de Belém passou de R$ 1.891 para R$ 2.034. Já entre os 40% mais pobres da população, o rendimento médio aumentou de R$ 470 para R$ 585.
Outro dado relevante é a queda da pobreza. Em apenas três anos, a proporção de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza caiu de 37,3% para 26,6%.
A extrema pobreza também apresentou redução expressiva, passando de 5,5% para 3,1%.
Manaus tem PIB gigante, mas renda menor
Os números reforçam um debate antigo sobre a diferença entre crescimento econômico e distribuição de renda.
Manaus concentra um dos maiores PIBs da Amazônia graças ao Polo Industrial da Zona Franca, que movimenta bilhões de reais todos os anos. Porém, os dados mostram que essa riqueza não se reflete integralmente na renda média dos moradores.
Enquanto Belém registra R$ 2.034 de renda per capita, Manaus aparece com apenas R$ 1.685 — cerca de 20% menor.
Entre os 40% mais pobres, a diferença também favorece a capital paraense. Em Belém, esse grupo possui renda média de R$ 585, contra R$ 544 em Manaus e R$ 535 em Macapá.
Menos pobreza extrema
No indicador de extrema pobreza, Belém também lidera entre as metrópoles nortistas.
A taxa registrada foi de 3,1%, abaixo dos 3,7% observados em Manaus e dos 5,1% de Macapá.
Os dados sugerem que a melhora econômica ocorrida nos últimos anos conseguiu alcançar também os segmentos mais vulneráveis da população paraense.
Desigualdade ainda é desafio
Apesar dos avanços, o estudo alerta que a desigualdade continua sendo um dos principais desafios da Região Metropolitana de Belém.
Embora a distância entre ricos e pobres tenha diminuído, ela ainda permanece elevada. Em 2022, os 10% mais ricos ganhavam, em média, 17,8 vezes mais que os 40% mais pobres. Em 2025, essa diferença caiu para 15,4 vezes.
O resultado mostra melhora, mas evidencia que a concentração de renda ainda é uma característica marcante da capital paraense.
Belém se destaca na Amazônia
Os dados do levantamento apontam um cenário que chama atenção: enquanto Manaus segue sendo a maior potência industrial da Amazônia, é Belém que apresenta atualmente a maior renda média entre as regiões metropolitanas do Norte.
O desempenho reforça uma tendência observada nos últimos anos de aumento da renda, redução da pobreza e melhora das condições econômicas da população da capital paraense e municípios vizinhos.
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que o desafio agora não é apenas gerar riqueza, mas garantir que ela seja distribuída de forma mais equilibrada entre os habitantes da metrópole.



