Construído no início do século XX e inspirado nos estilos neoclássico e art nouveau, o Mercado de São Brás completa, em 2026, 115 anos de história como um dos espaços mais emblemáticos de Belém — agora consolidado como um verdadeiro hub cultural, gastronômico e turístico da capital paraense.
Terceiro grande mercado público da cidade, após o Ver-o-Peso e o Mercado Francisco Bolonha, o espaço teve a construção iniciada em 1º de maio de 1910, sob projeto do engenheiro Filinto Santoro. Inicialmente chamado de Mercado Renascença, o local posteriormente passou a homenagear São Brás, santo cuja procissão tradicional cruzava a região.
Após décadas de abandono, o mercado foi completamente revitalizado e reinaugurado em outubro do ano passado, em uma reforma pensada para integrar o legado da COP30 à valorização da cultura amazônica e da identidade paraense.
Desde então, o novo Mercado de São Brás já ultrapassou a marca de 600 mil visitantes, atraindo moradores, turistas brasileiros e estrangeiros interessados na experiência que mistura gastronomia, cultura, arquitetura e pertencimento.
O espaço conta atualmente com mais de 80 operações comerciais e se tornou palco de grandes eventos culturais e institucionais. Durante a COP30, o mercado recebeu a rainha Mary Donaldson em um jantar oficial. Já em 2026, sediou pela primeira vez um evento aberto ao público do tradicional concurso Rainha das Rainhas.
A transformação do antigo prédio histórico foi viabilizada a partir de um concurso arquitetônico vencido por Aurélio Meira, com recursos da Itaipu Binacional em parceria com o governo federal.
Além da recuperação estética e estrutural, o novo mercado passou a contar com acessibilidade, sistema de exaustão, coleta seletiva e estrutura moderna para receber grandes eventos e ampliar o conforto dos frequentadores.
Segundo o administrador do espaço, Franklyn Nahun, o mercado se tornou um novo ponto de encontro da cidade.
“Hoje o Mercado de São Brás virou referência turística e cultural, não só para quem visita Belém, mas também para os próprios moradores da capital”, afirma.
Desde a reabertura, o salão interno já recebeu cerca de 80 eventos, incluindo lançamentos de marcas, ações institucionais e o anúncio oficial do Carnaval de Belém. Na área externa, apresentações culturais acontecem todos os fins de semana, reunindo entre dez e 20 artistas paraenses por programação.
Ao longo de oito meses, mais de 200 artistas já passaram pelo local, fortalecendo o circuito cultural da cidade e ampliando a circulação econômica na região.
O fluxo de visitantes também impressiona. Nos fins de semana, o mercado recebe entre 8 e 10 mil pessoas, movimentando restaurantes, cafeterias, feiras e pequenos negócios.
Atualmente, mais de 300 permissionários atuam no espaço, gerando diretamente mais de mil empregos.
A feirante Maria Luzia Ferreira Rodrigues, que trabalha há 45 anos vendendo frutas no mercado, afirma que a revitalização mudou completamente sua rotina de trabalho.
“Agora estamos só no luxo, só na bênção. Melhorou muito a qualidade de trabalho”, relata.
Frequentadores também destacam o novo perfil do espaço. Para Adrielle Pimenta, o mercado se tornou uma vitrine da cultura paraense.
“É apresentado muito da cultura daqui. O espaço recebe todos os públicos”, diz.
Já o influenciador Hygo Palheta resume a experiência do novo Mercado de São Brás como um ambiente democrático e plural.
“Hoje é mais que um mercado, é uma experiência. Vai de um cafezinho simples até uma gastronomia mais refinada. A população só tem a ganhar”, afirma.
Entre tradição e modernidade, o Mercado de São Brás reforça sua posição como um dos principais símbolos da revitalização urbana de Belém e do fortalecimento da economia criativa amazônica.



