O cacau produzido no assentamento Tuerê, em Novo Repartimento, no sudoeste do Pará, voltou a receber reconhecimento internacional. A amêndoa cultivada pelo produtor João Evangelista foi utilizada na fabricação de um chocolate premiado no International Chocolate Awards – Europe, realizado na França.
O resultado foi divulgado no último sábado (2), durante o Showcolat Festival, em Bordeaux. O chocolate produzido pela chocolatier Marina Shtoh-Ibri conquistou medalha de prata na categoria de barras de chocolate amargo com infusão ou aromatizante.
O produto premiado foi elaborado com cacau 100% da região do Tuerê e cumaru, ingrediente tradicional da Amazônia. Marina é CEO da marca “La Brigaderie de Paris” e já havia sido premiada anteriormente com chocolate produzido a partir do mesmo cacau paraense.
Esta foi a 43ª premiação conquistada pelas amêndoas produzidas por João Evangelista, conhecido como Rogério na comunidade onde vive. O produtor já integra, desde 2022, listas internacionais de destaque voltadas às melhores amêndoas de cacau do mundo.
A parceria entre o produtor paraense e a chocolatier francesa começou após um encontro no Salão do Chocolate de Paris, evento internacional voltado ao setor de cacau e chocolate.
Segundo João Evangelista, a produção em sua propriedade é desenvolvida em sistema agroflorestal. Atualmente, ele mantém oito hectares de cacau plantados, além de árvores de mogno cultivadas na área.
“Eu torço para que meus vizinhos também consigam ser premiados, porque temos amêndoas de qualidade produzidas aqui na região”, afirmou o produtor.
A chocolatier Marina Shtoh-Ibri também destacou a combinação entre o cacau amazônico e o cumaru como diferencial do produto apresentado na competição internacional.
Além da medalha de prata, o chocolate recebeu reconhecimento pela proposta considerada inovadora dentro da categoria.
O produtor recebe assistência técnica da Fundação Solidaridad, entidade que atua junto aos cacauicultores da região do Tuerê há cerca de dez anos. Ele também participa de feiras e eventos nacionais e internacionais com apoio do Fundo de Apoio à Cacauicultura do Pará (Funcacau), coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap).
De acordo com o coordenador do Procacau da Sedap, Ivaldo Santana, as premiações ajudam a fortalecer a presença do Pará no mercado internacional de cacau fino e ampliam oportunidades de negócios para produtores locais.
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