A Federação dos Povos Indígenas do Estado do Pará (FEPIPA) publicou um manifesto direcionado à aparelhagem Tupinambá, cobrando responsabilidade no uso de elementos e termos relacionados aos povos indígenas.
No documento, a entidade afirma que manifestações culturais não devem reproduzir práticas, expressões ou representações associadas a violências históricas ou estereótipos de origem colonial. A federação também destacou a importância do diálogo e se colocou à disposição para construir soluções conjuntas.
“O uso indevido da identidade indígena, a adoção de termos pejorativos e representações caricaturais reforçam violências históricas e desinformação”, diz trecho do manifesto.
A discussão ganhou força após a ativista Nice Tupinambá comentar um vídeo promocional da Banda AR-15 produzido para a aparelhagem. Nas imagens, artistas aparecem com pinturas corporais, penas e cocares, além do uso de termos como “tribo” e “flecha” na música.
Segundo a ativista, o objetivo da crítica é incentivar reflexão e diálogo, e não atacar o movimento cultural do brega. Ela aponta que determinadas expressões são consideradas pejorativas e que a estética adotada pode reforçar estereótipos, sem abordar questões atuais enfrentadas pelos povos indígenas.
Nice também sugeriu a inclusão de indígenas na produção artística e citou o Festival de Parintins como exemplo de construção cultural com participação direta dos povos originários.
Projeto e contexto
A aparelhagem Tupinambá prepara o lançamento do projeto “Icônico Tupinambá – O Altar Sonoro”, marcado para o dia 11 de abril. A estrutura conta com recursos tecnológicos e a atuação dos DJs Dinho, Toninho, Wesley e Betinho Apollo.
Com mais de 60 anos de história, a aparelhagem surgiu em Abaetetuba, no nordeste do Pará, e mantém forte presença na cultura popular do estado.
O debate atual se concentra no uso de símbolos e terminologias ligados aos povos indígenas, levantando discussões sobre representatividade, respeito cultural e os limites entre homenagem e apropriação.



