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Ofensiva bilionária dos EUA mira minerais críticos do Brasil em disputa global com a China

Estratégia do governo de Donald Trump tenta reduzir dependência da China, que domina a produção e o processamento de terras raras no mundo.

Os Estados Unidos iniciaram uma ofensiva econômica e política para garantir acesso às reservas brasileiras de minerais críticos e terras raras, considerados essenciais para setores como tecnologia, energia limpa e indústria militar.

Estima-se que o Brasil possua entre 20% e 23% das reservas mundiais de terras raras, ficando atrás apenas da China. Esses minerais — que incluem lítio, cobalto e nióbio — são fundamentais para a fabricação de baterias elétricas, chips, turbinas eólicas, satélites, aviões e sistemas militares.

A estratégia do governo de Trump ocorre em duas frentes principais: uma econômica e outra política. Na parte econômica, investidores americanos planejam aplicar dezenas de bilhões de dólares em mineradoras que atuam ou pesquisam esses minerais no Brasil, inclusive adquirindo participação em empresas que já possuem autorização para exploração.

Um dos movimentos já realizados foi o financiamento de US$ 565 milhões à mineradora Serra Verde, responsável pela principal produção brasileira de terras raras. Em 2025, cerca de 99,4% das exportações brasileiras desses minerais tiveram como destino a China, o que reforça o interesse americano em mudar essa dependência.

Além disso, os EUA também apoiaram projetos de pesquisa da mineradora Aclara, que desenvolve estudos sobre terras raras no município de Nova Roma, em Goiás.

Na frente política, o governo americano enviou ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil uma proposta de acordo para ampliar a cooperação no setor. A expectativa é que o tema seja discutido em um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, ainda sem data confirmada.

O governo brasileiro, porém, demonstra cautela. Interlocutores de Lula indicam que o país não pretende restringir a venda desses minerais à China, principal parceiro comercial brasileiro. O governo também defende que eventuais parcerias incluam investimentos no processamento dos minerais dentro do próprio Brasil, evitando o modelo tradicional de exportar matéria-prima e importar produtos industrializados.

Especialistas avaliam que a disputa faz parte de uma corrida geopolítica global por minerais estratégicos, fundamentais para a transição energética e para tecnologias de defesa. Hoje, a China domina grande parte do processamento desses materiais, enquanto os Estados Unidos conseguem refinar apenas cerca de 11% da produção mundial.

Com a demanda por minerais críticos projetada para crescer até 1500% até 2050, o Brasil passa a ocupar uma posição estratégica nessa disputa internacional entre grandes potências.

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