O Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP) divulgou, nesta quarta-feira (4), posicionamento em defesa do fortalecimento do sistema hidroviário na Região Norte. Segundo a entidade, as hidrovias têm papel estratégico para a segurança energética, a competitividade logística e a redução de emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com o instituto, o corredor Miritituba–Santarém, na Hidrovia do Tapajós, viabiliza o transporte anual de cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de combustíveis e biocombustíveis. Desse total, aproximadamente 840 mil m³ correspondem a derivados que chegam a Miritituba, enquanto 360 mil m³ são de biocombustíveis que saem da região.
Ainda conforme o IBP, o volume movimentado por via fluvial equivale a cerca de 20 mil viagens de caminhões por ano que deixariam de circular pelas rodovias.
Emissões e segurança
A entidade afirma que a eventual substituição do transporte fluvial pelo modal rodoviário poderia elevar o risco de acidentes e aumentar as emissões. O IBP cita estudo da Future Climate Group, segundo o qual o transporte hidroviário pode emitir até 73% menos CO₂ que o rodoviário e 36% menos que o ferroviário, a depender das condições operacionais.
Segundo o instituto, o modal hidroviário apresenta menor emissão por tonelada-quilômetro transportada, maior capacidade de escoamento e menor custo operacional, contribuindo para reduzir a pressão sobre a infraestrutura terrestre.
Concessão e gestão
No posicionamento, o IBP defende que a modernização e a concessão de hidrovias estruturantes sejam tratadas como política pública prioritária, com metas de navegabilidade, segurança operacional e continuidade do serviço, respeitando a regulamentação ambiental e os povos originários.
Estudos da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), citados pela entidade, indicam que hidrovias estruturadas podem elevar a eficiência logística, reduzir congestionamentos rodoviários e gerar emprego e renda regional.
O IBP também sustenta que a ausência de manutenção adequada dos canais navegáveis pode provocar interrupções logísticas e impactos no abastecimento de combustíveis. Segundo a instituição, modelos de concessão acompanhados de dragagem, sinalização, gestão de tráfego e monitoramento ambiental contínuos poderiam ampliar a previsibilidade operacional, com isenção de tarifas para comunidades ribeirinhas e populações tradicionais, direcionando a cobrança aos grandes usuários de carga.



