
Dois indígenas do povo Parakanã foram atingidos por disparos de arma de fogo na tarde de segunda-feira (2), nas proximidades da Terra Indígena Apyterewa, no sudeste do Pará. Eles estão internados em hospital no município de São Félix do Xingu.
De acordo com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), o caso é acompanhado em conjunto com a Força Nacional de Segurança Pública e a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A investigação ficará sob responsabilidade da Polícia Federal.
Ataque ocorreu durante retorno à aldeia
Informações preliminares indicam que os dois indígenas retornavam de motocicleta do distrito de Taboca, onde haviam comprado mantimentos, quando foram alvo de uma emboscada em trecho próximo a uma área de mata, a caminho da terra indígena.
As vítimas foram socorridas e encaminhadas para atendimento médico em São Félix do Xingu. Há previsão de transferência para unidade hospitalar em Altamira nesta terça-feira (3).
O Ministério dos Povos Indígenas informou que prestou suporte às vítimas e declarou que, no momento, não há operação de retirada de gado ilegal em andamento na área.
Histórico de conflitos na Terra Indígena Apyterewa
A Terra Indígena Apyterewa abriga o povo Parakanã e é alvo de disputas relacionadas à ocupação irregular do território. O local passou por operação de desintrusão conduzida pelo governo federal nos últimos anos.
Em 21 de janeiro deste ano, um funcionário da Associação Indígena Tato’a, ligada ao povo Parakanã, também foi alvo de disparos após retornar de uma base de apoio na região.
Em dezembro de 2025, um vaqueiro contratado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) morreu após ser baleado durante ação na área.
Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) aponta que a terra indígena registrou, por quatro anos consecutivos, os maiores índices de desmatamento do país, com perda de área florestal equivalente à extensão territorial de Fortaleza.
As circunstâncias do novo ataque serão apuradas pela Polícia Federal.
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