
“Burocracia custa vidas” disse o governador do estado do Pará, Helder Barbalho, em entrevista à CNN Brasil, com a indiferença digna do capitão Spock, personagem fleumático que não conseguia demonstrar sentimentos no clássico cult Jornada nas Estrelas.
A frase dita foi uma tentativa patética de justificar os inúmeros escândalos de corrupção que envolvem o seu nome, dentre eles, a operação da Polícia Federal, Para Bellum, que investiga a compra superfaturada de respirados pulmonares da China pelo Pará.
Seu ex-secretário de saúde, Alberto Beltrame, está atolado até os ossos com a Polícia Federal mordendo seu calcanhar. E o que tem a dizer o senhor governador ? “Burocracia custa vidas”…
Em um trecho da entrevista, que mais pareceu uma conversa entre comadres, Helder afirmou que há uma narrativa que procura “criminalizar o processo de agilidade de compra”, um “processo de denuncismo” contra os governadores que foram mais proativos na luta contra o novo coronavírus.
Em seguida, Helder reconhece que existem muitas pessoas que de forma ilícita procuraram obter lucro se utilizando da pandemia. Ele citou o exemplo da empresa SKN no Pará. “Não é possível que em um momento tão dramático alguns ainda imaginem que têm espaço para lucrar com a desgraça e com a perda de vidas” concluiu.
Ora, governador, as perguntas que infelizmente não lhe foram feitas ao vivo pela emissora, nos lhe fazemos aqui:
- Se a pressa foi o que motivo da compra com valor exorbitante de aparelhos defeituosos, por que o senhor tentou a todo custo eximir a empresa de responsabilidades, inclusive, ajuizando ação para retirar a competência da Polícia Federal das investigações?
- Que pressa justifica a compra, por exemplo, de 1.140.000 garrafinhas PET de 240 ml, ao preço de R$ 1,50 cada uma? Essa compra, inclusive, é alvo de uma Ação Civil Pública da Vara da Fazenda do Estado, que aponta superfaturamento na transação. E o tal álcool doado ninguém nunca viu.
Se a burocracia tira vidas, senhor governador, a corrupção, o que dizer da corrupção?



