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Até os cariocas estão impactados com o jeitinho paraense

O jeitinho caboclo de meter a mão no bolso alheio

Belém, minha Belém. Terra do açaí verdadeiro, do tacacá fumegante e da chuva que escolhe hora marcada pra cair – normalmente quando você está sem guarda-chuva. Mas agora, além do calor equatorial e da água de cuia, a cidade resolveu exportar um novo fenômeno amazônico: a especulação desvairada de hospedagem. E, pasme, de um jeito tão criativo que fez até carioca parar pra anotar.

Sim, meus amigos, o povo do Rio, mestre em cobrar R$ 25 numa água de coco em Copacabana, andou comentando: “Caraca, bro, o pessoal de Belém tá passando do limite!”. Quando até o carioca – que já nasce com um diploma de malandragem no berço e faz MBA em trambique na orla – fica chocado, é porque o negócio subiu o Morro da Soberba e desceu escorregando em ganância.

É que a COP30, evento global de gente que fala “carbono neutro” com sotaque britânico, mal confirmou presença e o belenense já começou a enxergar o próprio quarto de ventilador de teto e colchão afundado como se fosse suíte no Copacabana Palace. E não foi só o morador não – a rede hoteleira, que já cobra caro pra oferecer café da manhã com pão dormido e suco aguado, aproveitou pra reajustar os preços como se a vista para o Ver-o-Peso tivesse virado cartão-postal internacional.

Tem quitinete de periferia pedindo o equivalente a uma diária em Paris. “Mas tem ar-condicionado!”, grita o anúncio, esquecendo de avisar que o aparelho só funciona se você ficar parado num raio de 50 centímetros. E tem casa de família achando que virou resort sustentável porque tem uma mangueira no quintal e uma rede armada na sala.

É o famoso “jeitinho paraense”, agora atualizado pra versão COP30. Nossos anfitriões descobriram que podem explorar mais que a floresta: podem explorar turistas também. É o extrativismo da cara de pau.

Enquanto isso, a cidade segue com ruas esburacadas, ônibus a vapor e um trânsito que transformaria qualquer delegado da ONU em defensor ferrenho da bicicleta. Mas não importa. O que vale é meter um preço de Nova Iorque e torcer pra alguém cair.

No fim, Belém corre o risco de ser lembrada não pela cultura riquíssima, pela culinária premiada ou pela biodiversidade única. Mas sim por ter inovado no mercado da especulação com o carisma de quem sorri cobrando R$ 6 mil a diária num puxadinho.

Se preparem, turistas. Aqui a floresta é Amazônica, mas o espírito é 171.

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