
Durante a COP30, marcada para ocorrer em Belém entre 10 e 21 de novembro, hospedagens na cidade apresentam valores bem acima do usual. Em anúncios, uma suíte alcança R$ 6.500 por noite, e um apartamento de um quarto chega a R$ 1 milhão para 11 noites. Esses valores superam diárias em Nova York no mesmo período, que variam entre R$ 250 e R$ 500.
Três meses após anúncio de um acordo para limitar tarifas, ainda não houve assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), previsto para abril. O documento envolveria governo federal, setor hoteleiro e plataformas de reserva, com o objetivo de coibir aumentos desproporcionais nas tarifas.
Entidades do setor e plataformas como Booking e Airbnb resistem ao processo. Em junho, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) notificou 24 hotéis exigindo histórico tarifário desde 2019, justificativas para aumentos superiores a 50%, taxas de ocupação e documentos com custos operacionais. Os hotéis contestaram, alegando sigilo comercial e intervenção indevida.
A situação ganhou repercussão internacional durante preparação da COP30 em Bonn. Representantes de delegações relataram que os preços em Belém estão até cinco vezes acima de conferências anteriores. Delegações de países em desenvolvimento sinalizaram possibilidade de reduzir equipes ou cancelar presença se os valores não forem ajustados.
O governo do Pará firmou acordo para garantir cerca de 500 quartos com diárias entre US$ 100 e US$ 300, mas parte das acomodações está localizada em Castanhal, a 70 km de Belém. Além disso, opções alternativas incluem navios com 6.000 leitos, hostels em escolas, alojamentos militares e religiosos, motéis adaptados, contêineres, e iniciativas reservadas para delegações de países em desenvolvimento.
Especialistas alertam que o aumento excessivo e a logística restrita podem comprometer participação de cientistas e representantes de países do Sul Global. A falta de hospedagens acessíveis pode comprometer a diversidade de vozes e a legitimidade dos resultados da COP30.
Com informações de G1
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