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Pará se destaca como referência de design decolonial com arte marajoara e tapajônica

Herança milenar de povos originários inspira artistas e arquitetos contemporâneos no Pará, fortalecendo identidade visual baseada em saberes ancestrais

Antes mesmo da chegada dos europeus ao território brasileiro, o Pará já era palco de civilizações avançadas e profundamente conectadas com o ambiente e a arte. Povos como os marajoaras e os tapajônicos deixaram um legado estético e cultural que resiste ao tempo e inspira o que hoje se conhece como design decolonial — uma proposta visual e filosófica que rejeita padrões coloniais e valoriza os saberes originários.

Os marajoaras, que habitaram a Ilha de Marajó entre os séculos V e XV, criaram um dos mais sofisticados conjuntos de cerâmica da América Pré-Colombiana. Suas peças são marcadas por desenhos geométricos detalhados, figuras humanas e representações de animais. Estudos arqueológicos indicam que essa sociedade estava em pleno processo de desenvolvimento de escrita própria e arquitetura complexa antes de seu declínio.

Na região do rio Tapajós, os tapajônicos também se destacaram entre os séculos X e XV com cerâmicas refinadas, técnicas agrícolas avançadas e profundo conhecimento da biodiversidade local. Suas expressões artísticas, tanto funcionais quanto espirituais, revelam uma visão de mundo rica e integrada ao território.

Hoje, essas heranças seguem vivas nas mãos de designers, artistas plásticos, arquitetos e artesãos paraenses, que transformam padrões e formas ancestrais em identidade visual para embalagens, murais urbanos, mobiliários, arquitetura e ícones gráficos de projetos públicos e privados. A arte marajoara e tapajônica está presente em olarias, obras públicas, pontes, viadutos e edifícios — conectando passado e presente em uma estética única e profundamente enraizada na Amazônia.

O Pará tem se consolidado como exemplo nacional de valorização de uma estética indígena genuína, em contraste com outras regiões onde a apropriação cultural levanta debates por falta de representatividade indígena direta. A integração dessa herança no cotidiano urbano paraense mostra que é possível fazer design com identidade, respeito e conexão profunda com as raízes culturais do território.

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