REGIONAL

Paragominas prova que dá para virar o jogo na Amazônia

No ano em que o Inpe anunciou a maior taxa de desmatamento na Amazônia em dez  anos, Paragominas, um município do tamanho de Sergipe,  no leste paraense,  teve a menor taxa  registrada em três décadas. Como isso é possível?  Ainda mais em ano de eleição?

Paragominas começou a ser colonizado nos anos 50, foi emancipado em 1965 e cresceu no entorno da Rodovia Belém-Brasília.  Nos anos 80 e 90, era o maior polo madeireiro do Brasil e um dos maiores do mundo em florestas tropicais. No início dos anos 2000,  o desmatamento corria solto e bateu em 330 quilômetros  em 2005,  o que levou em 2008 Paragominas a ser inserido na listo suja dos municípios que mais desmatavam a Amazônia.

O então prefeito Adnan Demachki, um jovem e renomado advogado paraense que experimentava sua primeira experiência como administrador público,  convocou a sociedade para reagir oferecendo duas opções: ou partiam para o confronto ou promoviam uma reviravolta para sair da lista e se tornar um exemplo de sustentabilidade.

Nascia o projeto Município Verde. Já em 2010 o desmatamento tinha caído abaixo de 40 quilômetros quadrados e mais de 80% do município estavam registrados no Cadastro Ambiental Rural,  que veio a se tornar obrigatório no Brasil só em 2012 com o novo Código Florestal. Paragominas se tornou o primeiro município a sair da lista suja do desmatamento.

Entre 1985 e 2007,  a proporção do município coberta por florestas caiu de 81% para 67%. Em 2020 o desmatamento em Paragominas ficou em dez quilômetros quadrados, uma queda de 97% em relação a 2005. Com a forte queda do desmatamento associada a ações de reflorestamento e restauração,  a área de floresta voltou a crescer,  e hoje o município tem 68% de cobertura florestal.

Mas qual o impacto econômico, social e político desta transformação? Os números falam por si: entre 2009 e 2017 o PIB municipal saltou de R$ 878 milhões para R$ 2,6 bilhões, e o PIB per capita saltou de R$ 9 mil para R$ 27mil.  O Ideb passou de 4.3 em 2009 para 5.8 em 2019; a mortalidade infantil caiu de 19,56 para 10,62 no mesmo período. O acesso à água tratada subiu de 56% para 82%,  e o esgotamento sanitário de 2% para 23% entre 2008 e 2019.

Iniciado com um chamado à  sociedade, o Município Verde na partida já era pensado para ser um projeto da sociedade,  e não do governo. E o resultado se viu nas urnas nos quatro pleitos realizados desde então,  com o eleitor consagrando vitorioso sempre o candidato comprometido com a continuidade do projeto.

Sim, combater o desmatamento, proteger a floresta e promover a sustentabilidade geram crescimento econômico, prosperidade e, de quebra, votos.

Paragominas é a prova viva de que uma sociedade organizada conjugada com uma administração pública comprometida com a sustentabilidade é capaz de promover uma transformação rápida, abrangente e consistente e nos enche de esperança de que ainda podemos virar o jogo na Amazônia até 2030.

Fonte O GLOBO

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