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Vítima de agressão em Belém vive nas ruas há 15 anos e enfrenta transtornos mentais

Conhecido como “Carlinhos”, homem sofre de esquizofrenia e depende da ajuda de moradores para sobreviver

O homem em situação de rua agredido por estudantes universitários em Belém é conhecido como “Carlinhos” ou “Real” pelos moradores da região onde vive. Há cerca de 15 anos nas ruas, ele enfrenta uma rotina marcada por extrema vulnerabilidade, transtornos mentais e dependência de ajuda para sobreviver.

Segundo relatos, o homem sofre de esquizofrenia e possui dificuldades de fala, se comunicando com poucas palavras, como “quer feijão”, “quer água” ou “quero jantar”.

Vida nas ruas e rotina de sobrevivência

Carlinhos vive principalmente na região do bairro do Reduto, onde conta com o apoio de moradores para se alimentar, tomar banho e trocar de roupas.

Uma das pessoas que o acompanham é a vereadora Raquel Ferreira Viana, que afirma conhecer a rotina do homem e prestar დახმარ constante. Segundo ela, Carlinhos frequentemente dorme em frente à sua residência.

Apesar da condição, a maior parte do tempo ele apresenta comportamento tranquilo. No entanto, em momentos de crise, pode ter surtos psicóticos, agravados pela ausência de acompanhamento médico ou psicológico.

“Ele é muito sofrido. Já chegou na porta de casa todo machucado. Na maior parte do tempo é tranquilo, mas tem momentos de surto. É um problema psiquiátrico muito sério”, relatou a vereadora.

Histórico de violência

De acordo com a parlamentar, esta não foi a primeira vez que Carlinhos sofreu agressões nas ruas. Há registros anteriores de violência, o que reforça o cenário de vulnerabilidade e exposição constante.

Moradores relatam que ele já foi alvo de ataques e humilhações ao longo dos anos.

Agressão recente

O caso mais recente ocorreu na última segunda-feira (13), na avenida Alcindo Cacela, quando dois estudantes de Direito de uma instituição privada utilizaram uma arma de choque para atingir o homem.

Imagens mostram o momento em que a vítima é surpreendida enquanto caminhava e recebe descargas elétricas sem reagir.

Tentativa de atendimento

Após a repercussão do caso, a vereadora auxiliou autoridades na localização da vítima e no contato com equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Pará e da Polícia Militar do Pará.

As equipes tentaram encaminhá-lo para atendimento médico e realização de exame de corpo de delito, mas ele se recusou.

Segundo a vereadora, o homem demonstrou medo e não quis deixar o local onde costuma permanecer. Ele também recusou acolhimento em abrigo.

“Não há lei que obrigue ele a ser conduzido, já que não cometeu crime. Ele precisa de tratamento, mas não aceita”, explicou.

Histórico familiar

Relatos indicam que Carlinhos seria natural do bairro da Cremação e que vivia com a mãe e um irmão, ambos também com transtornos mentais. Os dois já teriam falecido, deixando-o sem suporte familiar.

Falta de assistência

A vereadora também criticou a atuação da Fundação Papa João XXIII (Funpapa), responsável pela política de assistência social no município.

Segundo ela, tentativas de contato com a gestão do órgão não tiveram retorno.

Dificuldade de responsabilização

Mesmo com a repercussão do caso, há dúvidas sobre a responsabilização dos agressores. A ausência de exame de corpo de delito pode dificultar o andamento das investigações.

“Para mim, o caso pode acabar sendo arquivado. Ele não quis fazer o exame, e isso pode ser usado. Além disso, são jovens de famílias com poder”, afirmou a vereadora.

Reflexo de um problema maior

O caso evidencia não apenas a violência sofrida por pessoas em situação de rua, mas também a ausência de políticas públicas eficazes e contínuas para atendimento dessa população.

Sem acompanhamento de saúde e apoio social estruturado, histórias como a de Carlinhos seguem marcadas pela invisibilidade, vulnerabilidade e repetição de episódios de violência.

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