O anúncio do aumento de 50% nas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros está repercutindo em todo o país, e no Pará não é diferente. Em Tomé-Açu, região produtora de pimenta-do-reino, agricultores sentiram os efeitos da medida, mesmo sem exportarem diretamente para o mercado norte-americano.
De acordo com o presidente da Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), Alberto Oppata, a decisão dos EUA provocou uma desvalorização do produto brasileiro, afetando as negociações internas.
“Esse tarifaço nos afetou. Agora, há uma defasagem de US$ 1 mil em relação à pimenta-do-reino do Vietnã”, afirmou Oppata.
O preço do condimento, que girava em torno de US$ 6.500 por tonelada, caiu para US$ 5.500. A diferença, segundo Oppata, está levando produtores a estocar a produção para tentar evitar prejuízos.
“O produtor que não precisa da renda imediatamente vai estocar nos armazéns da cooperativa. A pimenta pode permanecer até dois anos armazenada”, explicou.
Atualmente, a Camta exporta entre 300 e 400 toneladas de pimenta-do-reino por ano, sendo a Argentina o principal destino, com cerca de 200 toneladas anuais devido à demanda da indústria de embutidos. Outros mercados importantes são a Europa, Japão e México.
Para minimizar as perdas, a cooperativa está buscando ampliar as vendas para China e Índia, países que ainda não compram diretamente do Pará.
“Estamos trabalhando para melhorar o preço com vendas ao mercado asiático e europeu. Essa será a estratégia para reduzir os impactos da tarifa”, destacou Oppata.
A Camta conta atualmente com 160 produtores cooperados e, em 2024, registrou faturamento de R$ 124 milhões, incluindo a comercialização de açaí, dendê, óleos vegetais e polpas de frutas regionais. A colheita da pimenta-do-reino está em pleno andamento, e os produtores seguem atentos às oscilações do mercado internacional.



