“Tarifaço” dos EUA ameaça exportações de açaí e empregos no Pará
Medida adotada pelo governo norte-americano pode impactar 20% das exportações paraenses para os EUA e afetar milhares de empregos na cadeia produtiva

A exclusão de produtos paraenses da lista de isenções tarifárias dos Estados Unidos deve provocar impactos significativos na exportação do açaí, principal item da pauta comercial do Pará com o mercado norte-americano. De acordo com levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), o corte pode reduzir em até 20,1% o volume de exportações do estado para os EUA, sendo 8% dessa retração atribuída diretamente ao açaí.
O estudo foi realizado pelo Centro Internacional de Negócios e pelo Observatório da Indústria do Pará. Os dados indicam que, apenas no primeiro semestre de 2025, o Pará exportou cerca de US$ 57,8 milhões em produtos aos Estados Unidos, um crescimento de quase 65% em relação ao mesmo período de 2024. Desse total, o açaí respondeu por mais de US$ 43,6 milhões, com avanço de 59,34%.
Entre os principais itens exportados estão os sucos não fermentados e sem adição de açúcar, com valor superior a US$ 32 milhões (55,48% da pauta), seguidos por frutas e partes de plantas processadas ou conservadas, que representam 30,83% das exportações, somando mais de US$ 17,8 milhões.
A mudança na política tarifária pode afetar uma cadeia produtiva que gera aproximadamente 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos no Pará. O mercado dos Estados Unidos representa atualmente 75,40% das exportações de açaí do estado, sendo considerado o destino com maior competitividade internacional para o fruto amazônico.
Além do impacto econômico no Brasil, o aumento das tarifas também pode refletir no mercado consumidor norte-americano. O açaí, presente em sucos, bowls e suplementos alimentares, ganhou espaço nos Estados Unidos devido ao apelo saudável e ao alto valor nutricional. Com o encarecimento da importação, o preço final do produto deve subir, o que pode limitar o acesso dos consumidores e gerar efeitos inflacionários no segmento de alimentação natural.
Mesmo com a ampliação do consumo interno no Brasil, o mercado nacional não apresenta margem suficiente para absorver as perdas em dólares geradas pela retração das vendas externas, que possuem maior valor agregado. A previsão é de que o recuo nas exportações para os EUA impacte diretamente a renda de agricultores, indústrias e trabalhadores inseridos na cadeia do açaí, afetando também políticas de inclusão produtiva implementadas nos últimos anos no estado.
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