O volume de soja rastreado no Pará por meio do Protocolo Verde dos Grãos deu um salto significativo nos últimos anos. Segundo dados do Imaflora e do Ministério Público Federal, o total auditado chegou a 9,7 milhões de toneladas no terceiro ciclo (safras 2022/23 e 2023/24), um crescimento superior a 600% em relação à primeira rodada, em 2017/18.
Criado em 2014, o protocolo é um acordo voluntário que estabelece critérios socioambientais para a compra de grãos. Entre as exigências estão a regularidade no Cadastro Ambiental Rural (CAR), ausência de embargo ambiental, fora de listas de trabalho escravo e sem sobreposição com Terras Indígenas ou Unidades de Conservação.
Na prática, o volume auditado já ultrapassa a produção estadual no período, atingindo 108%. Isso ocorre porque uma mesma carga pode ser contabilizada mais de uma vez ao longo da cadeia produtiva, especialmente em casos de revenda por intermediários — o chamado fornecimento indireto.
Além do crescimento no volume, o nível de conformidade também chama atenção. O índice de regularidade socioambiental chegou a 95,39% no ciclo mais recente, bem acima dos 80,36% registrados na primeira edição. Desde a segunda rodada, o indicador se mantém acima de 90%, sinalizando maior adequação das operações às exigências do protocolo.
Outro destaque é o aumento da participação das empresas. Foram 36 relatórios entregues no terceiro ciclo, envolvendo quase metade das companhias signatárias ativas. O número representa uma evolução importante em relação ao início do programa, quando apenas 12 empresas participaram.
Os resultados foram apresentados em evento realizado em Belém, reunindo representantes do setor produtivo, organizações civis e instituições públicas. O avanço do rastreamento é visto como um passo relevante para fortalecer a transparência da cadeia da soja e reduzir riscos ambientais e sociais associados à produção no estado.



