A Polícia Civil de Pernambuco afirmou que uma delegada da Polícia Civil do Pará mantinha uma relação considerada “promíscua” com uma liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC) desde 2024. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (16), durante a apresentação de detalhes da Operação Sinalagma, que investiga o suposto repasse de informações sigilosas e a concessão de proteção institucional ao integrante da facção criminosa.
A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, que atuava na Divisão de Polícia Administrativa da Polícia Civil do Pará, é suspeita de fornecer informações policiais a Renato Henrique do Carmo, conhecido como Gordão. Segundo o delegado Ney Luiz Rodrigues, responsável pelas investigações, há indícios de que os dois também mantinham um relacionamento amoroso.
De acordo com a polícia, Renato teria transferido R$ 50 mil por Pix para Maria Virgínia em troca de informações obtidas nos sistemas da corporação paraense. Os investigadores também encontraram conversas nas quais a delegada supostamente garantia proteção ao suspeito caso ele retornasse ao Pará.
Relação teria começado após prisão no Pará
Segundo a investigação, a aproximação entre os dois teria começado após Renato ser preso no Pará, em 2024. Na ocasião, ele estaria utilizando um documento falso, mas acabou sendo liberado após passar pela delegacia.
O delegado Ney Luiz Rodrigues afirmou que os investigadores suspeitam que a ocorrência tenha sido provocada para permitir o contato entre os dois. Conforme o relato policial, o boletim registrou que Renato teria batido no carro da delegada e, após uma discussão, outra equipe foi acionada para conduzi-lo à delegacia.
A polícia também aponta que Renato teria custeado viagens e convidado Maria Virgínia para visitá-lo em Pernambuco. As conversas encontradas durante a investigação fazem parte dos elementos utilizados para apurar a natureza da relação e a possível troca de benefícios.
Prisão e atuação do grupo criminoso
Renato Henrique do Carmo foi preso na quinta-feira (15), no Recife. Maria Virgínia também foi detida no Distrito Federal durante a operação. De acordo com a Polícia Civil pernambucana, o investigado já havia sido preso em janeiro de 2025, em Muro Alto, no município de Ipojuca, na Região Metropolitana do Recife. Após ser liberado, passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.
Ainda segundo os investigadores, Gordão tinha um mandado de prisão expedido pela Justiça de São Paulo e utilizava documentos falsos para dificultar sua identificação. A polícia afirma que ele teria se estabelecido no Pará após deixar São Paulo e que, a partir do estado, exercia influência sobre atividades criminosas no Acre, no Pará e no Amazonas, principalmente relacionadas ao tráfico de drogas.
Os levantamentos policiais indicam que a organização criminosa teria movimentado aproximadamente R$ 14 milhões. Durante as diligências no Recife, foram apreendidos joias e relógios cujo valor estimado pode ultrapassar R$ 500 mil, caso a autenticidade das marcas seja confirmada.
Iniciada em janeiro de 2025, a Operação Sinalagma apura a atuação da organização criminosa e possíveis vínculos com agentes públicos. As suspeitas contra a delegada e os demais investigados ainda dependem do andamento das investigações e da análise da Justiça.



