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Petróleo da Margem Equatorial poderá ser refinado em São Paulo, diz presidente da Transpetro

Estatal avalia instalar uma base logística na região Norte para transportar a produção da Bacia da Foz do Amazonas, enquanto a Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, é apontada como possível destino do petróleo.

O petróleo que poderá ser produzido na Margem Equatorial brasileira, na região da Bacia da Foz do Amazonas, tem a possibilidade de ser transportado para refino em São Paulo. A informação foi apresentada pelo presidente da Transpetro, Sergio Bacci, que afirmou que a Refinaria de Paulínia (Replan), localizada no interior paulista, é um possível destino para o óleo. A declaração chama atenção para o caminho que a produção poderá percorrer entre o Norte do país e os centros de refino do Sudeste.

Segundo Bacci, a subsidiária de logística da Petrobras já avalia a necessidade de estabelecer uma base na região Norte para atender às operações relacionadas à campanha exploratória no poço de Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, uma das cinco bacias que compõem a Margem Equatorial. A estrutura poderá ser utilizada para receber o petróleo recolhido por navios aliviadores, transportá-lo até a costa e viabilizar o escoamento da produção.

Durante a feira Navalshore, realizada no Rio de Janeiro, o executivo explicou que parte do petróleo poderá ser exportada, enquanto outra parcela seguiria para o mercado nacional. Nesse segundo cenário, a Replan aparece como uma possibilidade para o refino, o que exigiria o transporte do óleo por cabotagem, modalidade de navegação entre portos do mesmo país.

A perspectiva evidencia uma questão estratégica para o Norte: embora a eventual produção esteja associada à exploração na costa amazônica, o processamento do petróleo poderá ocorrer em outra região brasileira. A possível instalação de uma base logística no Norte, portanto, não significa necessariamente que a região também receberá investimentos equivalentes em capacidade de refino.

A localização de um eventual terminal de transbordo ainda não foi definida. De acordo com Bacci, a escolha dependerá das necessidades operacionais e do que for mais adequado para a companhia. O presidente da Transpetro ressaltou que a descoberta é recente e que o dimensionamento da estrutura logística dependerá do avanço da prospecção e do volume de produção que poderá ser alcançado.

A avaliação também não deve resultar, neste momento, em mudanças imediatas no Plano de Negócios 2027–2031 da Petrobras. A empresa ainda precisa amadurecer os estudos sobre a exploração e compreender a dimensão das futuras operações antes de estabelecer as necessidades definitivas de infraestrutura.

Paralelamente, a Transpetro mantém investimentos na ampliação de sua frota. Atualmente, há 13 navios em construção no Brasil, sendo quatro navios de produtos, cinco gaseiros e quatro embarcações de médio porte do tipo MR1. A companhia também encomendou 18 empurradores e 18 barcaças para ampliar sua atuação na navegação interior. No exterior, a subsidiária holandesa TIBV contratou nove navios aliviadores, que estão em construção na Coreia do Sul.

Para o Norte, o avanço da exploração na Margem Equatorial poderá ampliar a demanda por portos, terminais, embarcações de apoio e serviços especializados. Entretanto, a eventual geração de benefícios econômicos na região dependerá de como essa infraestrutura será distribuída e de quais atividades serão efetivamente instaladas no território amazônico. Por enquanto, a possibilidade de envio do petróleo para refino em São Paulo indica que a cadeia produtiva poderá envolver diferentes regiões do país, com funções distintas entre extração, transporte e processamento.

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